A agência de classificação de risco Moody's Ratings manteve a nota Baa3 com perspectiva estável para o Paraguai, confirmando o grau de investimento do país. No entanto, economistas alertam que os atrasos fiscais, e não o nível da dívida pública, representam o maior risco imediato para a credibilidade fiscal paraguaia.
O economista Arnold Benítez destacou que o foco do relatório da Moody's está nas observações sobre a gestão das finanças públicas. A agência estima que os atrasos reconhecidos no início de 2026 equivalem a cerca de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), expondo fragilidades na coordenação entre orçamento, fluxo de caixa e controle de gastos.
Segundo Benítez, postergar o reconhecimento dessas obrigações não elimina o compromisso financeiro, apenas transfere o custo para o setor privado. As empresas provedoras acabam financiando o Estado enquanto aguardam o pagamento de faturas já devidas, uma situação que pressiona suas operações. Ele argumenta que, se esses atrasos se tornarem habituais, a regra fiscal perderia utilidade, pois o déficit oficial poderia respeitar formalmente o limite legal enquanto parte da despesa permanece fora dos registros orçamentários.
Além dos atrasos, a Moody's mantém advertências sobre a limitada capacidade de geração de receitas públicas, a elevada proporção de dívida em moeda estrangeira e as pressões sobre o sistema previdenciário. A qualidade institucional do país, que fica abaixo de outros na categoria Baa em indicadores como controle da corrupção e Estado de direito, também permanece sob observação e limita possíveis melhorias na classificação.
O governo já adotou medidas em resposta, como um plano para quitar as obrigações pendentes, mecanismos de *factoring* e a reforma da Caja Fiscal. Contudo, Benítez avalia que essas iniciativas precisam demonstrar resultados concretos, pois liquidar as dívidas acumuladas não corrige automaticamente as falhas sistêmicas que permitiram seu surgimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a conclusões similares, recomendando transparência na incorporação dos atrasos às estatísticas fiscais e um fortalecimento dos controles sobre a execução do gasto.
A perspectiva estável indica que uma rebaixa da nota não é o cenário mais provável no curto prazo. No entanto, uma nova acumulação de atrasos, a deterioração persistente das contas públicas ou o estancamento das reformas poderiam exercer pressão sobre a classificação soberana do Paraguai no futuro.
