O Instituto de Previsão Social (IPS) do Paraguai possui 67 processos penais em andamento, uma cifra que supera amplamente a estimativa inicial de 38 casos e revela anos de atraso judicial. A descoberta foi feita após uma revisão profunda realizada pela nova gestão, que assumiu o compromisso de ordenar o que classificam como um caos administrativo herdado.
O diretor jurídico da instituição, Pablo Morínigo, explicou que o IPS é uma estrutura complexa, comparável a vários ministérios e a uma entidade financeira e imobiliária combinadas. Ele afirmou que, ao analisar os expedientes, surgem constantes questionamentos sobre por que muitas ações não foram tomadas anteriormente, deixando problemas sem solução.
O caso mais antigo data de 2016, a Causa Nº 80, relacionada a bônos da Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), que permanece sem resolução após uma década. O ano com maior número de casos abertos foi 2024, com 25 processos, seguido por 2025, com 18, e 2026, com oito registrados até o momento.
Morínigo destacou como um dos expedientes de maior impacto a investigação envolvendo a União de Patronais, onde supostamente dados de empresas foram alterados para ocultar dívidas e obter certificados de conformidade irregularmente. A nova estratégia da Direção Jurídica é evitar denúncias com cifras millonárias sem provas sólidas, priorizando a comprovação do delito antes de quantificar prejuízos.
Pelo menos 25 dos processos têm conteúdo econômico, incluindo alegações de estelionato, evasão, suborno e apropriação indébita. A atual administração, liderada por Isaías Fretes desde abril de 2026, planeja visitas regulares ao Ministério Público e ao Poder Judicial para agilizar as investigações e buscar a recuperação de recursos desviados, que afetam diretamente os trabalhadores que sustentam o sistema.
