Presidente do IPS admite crise financeira e falta de medicamentos: “Estamos nos tornando pobres”

Isaías Fretes, presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), reconheceu nesta sexta-feira que a instituição atravessa uma crise crítica de liquidez e desabastecimento de medicamentos, atribuindo o colapso a administrações passadas e a processos burocráticos asfixiantes.

Presidente do IPS admite crise financeira e falta de medicamentos: “Estamos nos tornando pobres”

O presidente do IPS, Isaías Fretes, fez um duro diagnóstico da situação da previdência social paraguaia durante uma visita a centros assistenciais no Chaco. Em declarações à imprensa, admitiu que a falta de dinheiro e os gargalos administrativos paralisaram a compra de insumos básicos.

“Na parte de medicamentos, estamos mal”, afirmou Fretes. “Estamos mal porque deixaram cair e existe um processo burocrático-administrativo que nos impede de mudar isso da noite para o dia.”

O titular do IPS revelou que a instituição está de mãos atadas pela legislação vigente, que impõe ritos de contratação incompatíveis com a urgência dos pacientes. “A lei nos obriga a atuar dentro de um processo, senão acabaremos processados”, explicou.

O momento mais contundente da entrevista veio quando Fretes recorreu ao guarani para descrever a realidade financeira: “Ore mboriahu” (somos pobres). “Nunca o Instituto de Previsão Social chegou a esta situação em que não temos dinheiro para dar agilidade aos processos”, sentenciou.

Para tentar contornar a crise, a presidência convocou uma equipe econômica especial para realizar uma reengenharia profunda da estrutura financeira. “O segurado não tem por que pagar o pato das más administrações”, declarou Fretes.

O conselheiro representante do Ministério da Saúde, Jimmy Jiménez, quantificou o problema ao reconhecer limitações orçamentárias críticas e falhas estruturais na cadeia de suprimentos. “Precisamos de uma injeção econômica importante para sair deste atoleiro e também de processos administrativos mais ágeis”, admitiu.

Durante a visita ao Puesto Sanitário de Villa Hayes, Fretes anunciou a implementação de atendimento aos sábados. O gerente de Saúde, Derlis León, confirmou que o centro começará a operar neste sábado com um cronograma escalonado: inicialmente até as 13h, com meta de estender progressivamente o serviço até as 19h. “As pessoas também adoecem aos sábados. A doença não escolhe dia”, afirmou o presidente do IPS.

Apesar do anúncio, Fretes reconheceu o desgaste da palavra “paciência” entre os segurados que enfrentam filas e falta de remédios. “Sei que é uma palavra desagradável, paciência, porque estão fartos de ouvir a palavra paciência, mas vamos dar a maior celeridade possível”, disse.