Operação Ícaro: Justiça bloqueia contas de acusados por rombo de G. 9 bilhões em telefônica

A Justiça paraguaia determinou o congelamento de contas e ativos digitais de quatro dos treze imputados na Operação Ícaro, investigação que apura o maior esquema de estafa virtual já registrado no país, com prejuízo de G. 9.015 milhões contra uma empresa de telefonia. O líder do grupo, Alex Junior Silva Báez, de 18 anos, está entre os que tiveram as contas na plataforma Binance bloqueadas.

A Justiça paraguaia determinou o congelamento de contas bancárias e ativos digitais de quatro dos treze imputados na Operação Ícaro, que investiga o maior esquema de estafa virtual já registrado no país. O prejuízo contra uma empresa de telefonia chega a G. 9.015 milhões (cerca de US$ 1,2 milhão).

A medida foi solicitada pela promotora Irma Llano, da Unidade Especializada em Delitos Informáticos e Lavagem de Ativos, e autorizada pelo juiz penal de garantias especializado em Delitos Econômicos, Rodrigo Estigarribia. O bloqueio atinge contas, carteiras digitais e produtos financeiros registrados na plataforma de criptoativos Binance em nome de Alex Junior Silva Báez (18), Sergio Javier Sosa Melgarejo (35) e outros dois investigados cujos nomes foram mantidos sob sigilo a pedido do Ministério Público.

O magistrado, no entanto, não estendeu a proibição de inovar a uma das contas de um dos imputados, nem às outras 379 contas na Binance que receberam os valores desviados. Apesar disso, determinou a preservação imediata e o resguardo de todos os registros, logs, metadados e informações digitais vinculadas a essas contas.

De acordo com a decisão judicial, as medidas cautelares abrangem dados de registro e assinatura (como data de criação da conta, e-mails e telefones associados), dados de conexão e acesso (endereços IP, geolocalização, user agents), dados transacionais (histórico completo de depósitos, retiradas e transferências P2P) e dados complementares (tickets de suporte e comunicações com a plataforma).

Até o momento, foram apreendidos 478.851 USDT (stablecoin atrelada ao dólar) no âmbito da investigação. A promotora Irma Llano também tomou depoimentos de indagação de cada um dos identificados e enviou ofícios a instituições financeiras cujos clientes receberam os valores desviados em "contas mula".

Segundo a denúncia da empresa telefônica, entre 20 e 25 de março de 2026, Alex Silva teria explorado uma vulnerabilidade no sistema de pagamentos eletrônicos da companhia, manipulando o segundo comando do processo transacional de cobrança por código QR. Quando um cliente escaneava o QR, o sistema debitava o valor real, mas na carteira do comerciante o valor registrado era alterado para G. 1. A diferença era desviada para as carteiras dos investigados.

Os recursos foram distribuídos por 1.927 transações para 395 contas bancárias, utilizando "fazendas de mulas" — indivíduos que emprestam suas contas para as operações. Alex Silva, apontado como líder do esquema, teria recrutado companheiros e familiares, realizando transferências massivas de até G. 499.000 cada para não levantar suspeitas.

Dos treze imputados, oito estão detidos. Eles respondem pelos crimes de estafa mediante sistemas informáticos, associação criminosa e lavagem de ativos na modalidade de frustração do achado, conforme o Código Penal paraguaio.