Advogado acusado de espionar ex-companheira com câmeras e GPS vai a julgamento no Paraguai

Um advogado de 38 anos será submetido a julgamento oral e público por supostamente instalar câmeras ocultas e GPS no carro da ex-companheira, além de acessar ilegalmente suas contas bancárias e redes sociais. A defesa nega as acusações e critica a atuação da promotora Irma Llano.

Um advogado de 38 anos enfrentará julgamento oral e público no Paraguai, acusado de espionar sua ex-companheira com câmeras ocultas e dispositivos de rastreamento. A promotora Irma Llano, da Unidade Especializada em Crimes Informáticos, apresentou a acusação formal, que inclui os crimes de acesso indevido a sistemas informáticos, violação do direito à comunicação e à imagem, e pornografia infantil.

Segundo a investigação, o acusado instalou um GPS no veículo da vítima e câmeras apontadas para a cama do quarto que compartilhavam durante o casamento, que durou 12 anos. Ele também teria acessado sem autorização e-mails, redes sociais, conversas privadas e contas bancárias da ex-companheira, que é promotora de Justiça em Assunção.

O caso começou em 2023, quando a vítima denunciou à polícia suspeitas de estar sendo vigiada. Técnicos do Ministério Público inspecionaram o veículo e encontraram um GPS e outro dispositivo em um celular com capacidade de gravação. O advogado também tinha uma cópia da chave do carro da mulher.

Além da ex-companheira, o acusado é suspeito de usar o mesmo método com uma adolescente, com quem supostamente mantinha um relacionamento. A promotora Llano destacou que o caso envolve pornografia infantil, com pena prevista de até cinco anos de prisão.

A defesa do advogado, representada pela advogada Solange Guerreño, nega todas as acusações e critica a promotora Irma Llano por suposta falta de objetividade e exposição midiática do caso. Guerreño alega que as câmeras foram instaladas por razões de segurança e que a denúncia surgiu após o acusado iniciar um novo relacionamento. A defesa também afirma que a vítima teria agredido fisicamente a nova parceira do acusado e danificado o veículo dele.

O juiz penal de garantias Yoan Paul López admitiu a acusação e determinou o julgamento. A identidade dos envolvidos é mantida em sigilo, conforme a Lei 5777 de Proteção Integral às Mulheres, que proíbe a divulgação de informações sem autorização da vítima.