O Paraguai segue ampliando o uso de títulos públicos como ferramenta central para financiar obras e investimentos estatais. Os chamados bonos del Tesoro são emitidos tanto no mercado doméstico quanto no exterior e cumprem não apenas o papel de captar recursos, mas também o de administrar o perfil da dessa pública, permitindo refinanciar vencimentos antigos em condições mais favoráveis.
Os títulos internacionais são colocados sob a legislação do estado de Nova York e submetidos à jurisdição daquele território, enquanto as emissões locais seguem a legislação paraguaya e são registradas na Superintendencia de Valores. Um fator determinante para o custo desse financiamento é a percepção de risco do país: quanto maior o risco percebido pelas agências de classificação, maiores as taxas exigidas pelos investidores.
Nesse ponto, o Paraguai alcançou o grau de investimento com duas das três principais agências internacionais, o que lhe permite obter recursos com juros mais baixos e prazos mais longos. Na América Latina, o país está entre os que pagam as menores taxas, ao lado de Chile e Uruguai, reflexo direto da melhora na nota de crédito soberano.
De acordo com a Lei n.º 7609/2025, que autorizou endividamento de US$ 661,6 milhões para 2026, já foram colocados US$ 294,1 milhões no mercado internacional (44,5%) e US$ 68,5 milhões no mercado local (10,4%). O saldo remanescente é de US$ 298,9 milhões, dos quais US$ 123,6 milhões estão previstos para emissões domésticas.
O Viceministério de Economia informou que ainda estão programadas quatro emissões locais entre junho e outubro, todas em guaraníes, conforme o Programa I-2026. A primeira subasta do ano ocorreu em abril, com reapertura de um título com vencimento em 2035, e registrou demanda forte: foram recebidas ofertas por G. 698 bilhões, e o montante total disponível foi adjudicado.
Nas próximas colocações, além do título com vencimento em 2035, o governo oferecerá reaperturas de curto prazo com vencimentos em 2028 e 2030, com o objetivo de fortalecer o mercado secundário e ampliar a curva de rendimentos. O viceministro de Economía e Planificação, Gerardo Ruiz Díaz, afirmou que as perspectivas são positivas, com liquidez suficiente no mercado e interesse dos investidores.
Chama atenção o crescente apetite de investidores estrangeiros por títulos em moeda local: nos últimos 12 meses, a participação média de tenedores não residentes atingiu 5,21% do total de bonos del Tesoro em circulação. Caso a demanda supere o volume inicialmente autorizado, o governo avaliará ampliar o programa, aproveitando margem parlamentar ainda disponível de US$ 175,3 milhões.
Ruiz Díaz destacou que, diferentemente de emissões anteriores, os recursos das próximas subastas terão destino específico. Conforme a Lei n.º 7609/2025, a totalidade dos valores obtidos será destinada ao financiamento de investimentos, sem contemplar operações de refinanciamento de dívida, e os fundos serão canalizados exclusivamente para projetos de investimento público previstos no Orçamento Geral da Nação.
