Paraguai acumulou US$ 10 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) líquido entre 2008 e 2024, com forte concentração em três setores: serviços não financeiros, manufatura e serviços financeiros. O dado consta de estudo apresentado pelo Banco Central do Paraguai (BCP) e pelo Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR), que analisa a distribuição setorial dos fluxos de capital e suas implicações para a estrutura produtiva do país.
No período mais recente, de 2020 a 2024, os serviços não financeiros absorveram 44% do total investido, liderados por comércio atacadista e varejista, telecomunicações, transporte — especialmente o fluvial e atividades auxiliares — e serviços imobiliários. Os serviços financeiros responderam por 25% dos fluxos, com destaque para bancos, seguradoras e corretoras. A manufatura, embora com participação menor que em anos anteriores, ainda captou 22% do IED, direcionado principalmente para processamento de carne, produção de óleos e gorduras, indústrias químicas e farmacêuticas, além de autopeças e construção naval.
O setor primário, por sua vez, recebeu 9% dos investimentos, com crescimento em atividades não tradicionais, como silvicultura e sistemas agropecuários integrados. Em 2024, o fluxo bruto de entrada de capital atingiu US$ 3,291 bilhões, mas saídas de US$ 2,360 bilhões reduziram o saldo líquido anual para US$ 931 milhões. A capitalização e a reinversão de lucros foram os principais motores desse resultado, enquanto empréstimos líquidos negativos atenuaram o montante final.
Carlos Carvallo Spalding, presidente do BCP, destacou que o estudo reflete o compromisso da instituição em ir além da produção de estatísticas, oferecendo análises para subsidiar decisões públicas e privadas. Ele citou a estabilidade macroeconômica, as reformas estruturais em andamento e a obtenção do grau de investimento pelas agências Moody’s e S&P Global Ratings como fatores que reforçam o ambiente favorável para atração de capital de longo prazo.
O relatório também incluiu uma perspectiva regional, com apresentações de representantes dos bancos centrais da Colômbia e Costa Rica, que compartilharam experiências sobre políticas de atração de IED. Segundo o diretor de Estudos Econômicos do FLAR, Carlos Giraldo, o cenário global para 2026-2027 será determinante para a continuidade dos fluxos de investimento na América Latina.
