O Corredor Vial Bioceânico avança no Chaco paraguaio, com o último trecho antes da fronteira com a Argentina começando a receber a primeira camada de asfalto. O Lote 4 da Rota PY15, que se estende por 52 quilômetros até Pozo Hondo, já registra um avanço físico de 35,56% e inclui a construção de um futuro centro de fronteira e estudos para uma nova ponte internacional sobre o rio Pilcomayo. Esta etapa final, executada pelo Consórcio TCR com financiamento do Fonplata, é crucial para completar a ligação terrestre que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, transformando a região em um eixo logístico central.
Paralelamente, a primeira rodovia de concreto do país, a PY05 entre Pozo Colorado e Concepción, já possui quase 30 quilômetros de pavimento rígido concluídos. A obra, dividida em dois lotes e financiada pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e pelo Fonplata, visa proporcionar uma conexão mais segura e resistente entre o Chaco e a região Oriental, beneficiando cerca de 400 mil pessoas uma vez concluída e impulsionando Concepción como polo logístico do norte.
Enquanto as obras de infraestrutura avançam, o cenário político foi marcado pela aprovação, após semanas de tensão, de um empréstimo de US$ 75 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Programa de Melhoramento da Conectividade Rural. A Câmara dos Deputados sancionou o projeto com 52 votos a favor, destinando os recursos à construção e melhoramento de aproximadamente 123,79 quilômetros de caminhos vicinais e 315 metros de pontes em sete departamentos, incluindo Alto Paraná, Canindeyú, Caazapá e Caaguazú, com as pontes abrangendo também Itapúa e San Pedro.
A aprovação do crédito só ocorreu após uma sessão extraordinária convocada devido à falta de quórum em tentativas anteriores, um impasse que gerou fortes críticas públicas dentro do próprio partido governista, o Partido Colorado (ANR). O senador Silvio "Beto" Ovelar, da facção cartista, havia questionado a demora dos deputados, levando a réplicas acaloradas. O deputado Hugo Meza, também cartista, defendeu a autonomia da Câmara Baixa e fez comentários irônicos sobre Ovelar, enquanto o deputado Alejandro Aguilera o responsabilizou por "turvar o processo legislativo".
O desbloqueio final do empréstimo foi intermediado pelo vice-presidente Pedro Alliana, que se reuniu com deputados antes da sessão para destacar a importância do projeto. A ministra de Obras Públicas, Claudia Centurión, também participou de reuniões para esclarecer dúvidas técnicas sobre a distribuição territorial dos recursos, assegurando que este é o segundo de três empréstimos totais de US$ 250 milhões que, progressivamente, abrangerão 12 departamentos.
No mesmo dia, o Senado aprovou outro significativo financiamento para infraestrutura: um empréstimo de até US$ 286 milhões da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para a segunda etapa do corredor bioceânico do Sul, ligando Yabebyry a Pilar. No entanto, a ministra Centurión foi alvo de críticas de legisladores da oposição durante o debate, sendo questionada sobre a lentidão na execução de obras com créditos já aprovados e os altos custos por quilômetro de estrada.
