MP paraguaio acusa ex-ministro Arnoldo Wiens de prejuízo milionário em obra do Metrobús

O Ministério Público do Paraguai acusou formalmente o ex-ministro Arnoldo Wiens de causar um prejuízo milionário ao estado com a demolição do Metrobús, enquanto o político e aliados alegam perseguição judicial com motivações eleitorais.

MP paraguaio acusa ex-ministro Arnoldo Wiens de prejuízo milionário em obra do Metrobús

O Ministério Público do Paraguai apresentou acusação formal contra o ex-ministro de Obras Públicas e Comunicações Arnoldo Wiens, atual pré-candidato à presidência por uma dissidência do Partido Colorado (ANR). Os promotores Nathalia Silva, Yeimy Adle e Giovanni Grisetti solicitaram que o caso seja levado a julgamento oral por suposta lesão de confiança e dano a obras construídas no âmbito do fracassado projeto do Metrobús.

De acordo com a acusação, Wiens causou um prejuízo patrimonial de G. 14.955 milhões ao Estado paraguaio ao decidir suspender as obras em outubro de 2018 e, posteriormente, ordenar a demolição de estações parcialmente construídas em abril de 2020. A promotoria alega que o projeto, financiado com empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), tinha 40% de execução quando Wiens assumiu o ministério em agosto de 2018, com financiamento vigente e autorizações municipais pendentes apenas para formalização.

Wiens defendeu publicamente suas decisões, afirmando que herdou "uma obra inviável" e que agiu para evitar maiores prejuízos. Ele citou um laudo arbitral que teria endossado a legitimidade da rescisão do contrato com a empresa Mota Engil e a execução das apólices de seguro. Em entrevistas, o ex-ministro classificou o processo como uma perseguição política com "conotação eleitoral", acusando o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana de instrumentalizar a Justiça para prejudicar sua candidatura.

A defesa de Wiens, liderada pelos advogados Alfredo Enrique Kronawetter e Federico Huttemann, impugnou a confirmação dos promotores no caso e alega que a ação penal está extinta por prescrição, argumentando que os fatos investigados ocorreram há mais de cinco anos. Eles também contestam a inclusão de Wiens na acusação por dano a obras construídas, alegando que o juízo de primeira instância havia admitido apenas a imputação por lesão de confiança.

Políticos aliados de Wiens, como os senadores Blanca Ovelar, Colym Soroka e Mario Varela, criticaram veementemente a atuação do Ministério Público, classificando-a como "vergonhosa", "aberrante" e "parcial". Eles destacaram o contraste com o arquivamento do processo do ex-ministro Ramón Jiménez Gaona, que antecedeu Wiens no ministério e sob cuja gestão o projeto foi iniciado.

O senador da oposição Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista (PDP), alertou que o uso de processos judiciais para eliminar candidatos políticos, tanto da oposição quanto de dissidências internas, representa "um caminho muito perigoso" para a democracia paraguaia, comparando a situação com os primeiros passos da deriva autoritária na Venezuela.

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Fontes (13)

Atualizado: 13 de ago. de 2026, 01:00