O Ministério de Urbanismo, Vivienda e Hábitat (MUVH) lançou o Che Róga Porã 3.0, nova etapa do programa habitacional do governo paraguai que amplia o acesso ao crédito para famílias com renda de 6 a 9 salários mínimos. O valor máximo do empréstimo chega a G. 792 milhões, com prazos de até 30 anos e taxa de juros de 9,9%.
A principal novidade é a inclusão de um novo segmento de acesso para famílias com renda mensal de até G. 26.091.432 (9 salários mínimos), antes limitada a 6 salários mínimos (G. 17.394.288). O programa também amplia o alcance do financiamento para todo o Departamento Central e Presidente Hayes, além de incorporar o Prodesi, uma nova linha de crédito voltada a empresas desenvolvedoras imobiliárias, com taxa de 9,9% e prazo de 5 anos.
Para solicitantes fora de Assunção, o valor do crédito foi elevado de G. 609 milhões para G. 652 milhões, também com taxa de 9,9% e prazo de 20 a 30 anos. O cotizador do programa mostra parcelas a partir de G. 870.191 para financiamentos de G. 100 milhões em 30 anos, chegando a G. 6.935.422 para empréstimos de G. 792 milhões no mesmo prazo. Uma pessoa que tomar crédito de G. 200 milhões pagará G. 1.740.382 mensais em 30 anos ou G. 1.916.811 em 20 anos.
O ministro Juan Carlos Baruja destacou que a taxa do programa é inferior à praticada pelo sistema financeiro, que gira em torno de 13% a 15% com prazos máximos de 15 anos. "Vamos a duplicar el plazo y bajar la tasa para los ciudadanos", afirmou.
O Che Róga Porã acumula mais de 5.500 moradias e créditos aprovados e em análise, totalizando USD 185 milhões em 17 departamentos do país. A idade média dos solicitantes é de 34 anos, com valor médio de crédito de G. 300 milhões e prazo médio de 27 anos.
Para viabilizar as novas modalidades, o governo precisará de um novo empréstimo de USD 200 milhões. O funding inicial do programa foi de USD 259 milhões, e em dois anos o desembolso acumulado atingiu USD 185 milhões, restando apenas USD 73,4 milhões em recursos disponíveis. A necessidade estimada é de USD 250 milhões para 2026 e USD 155 milhões para cada um dos anos de 2027 e 2028.
Stella Guillén, titular da Agência Financiera de Desarrollo (AFD), explicou que as inovações do Che Róga Porã 3.0 respondem à alta no valor dos terrenos e à necessidade de acompanhar as mudanças do mercado. Ela ressaltou que a ampliação da área de influência para a região metropolitana, incluindo Presidente Hayes, se justifica pela política pública de densificação urbana e pela mobilização de recursos imobiliários na zona. "Constituyéndose así en el programa más ambicioso de viviendas nunca antes financiado a través del Gobierno", afirmou Guillén.
A AFD alcançou em maio o total de colocação estimado para todo o ano de 2026, superior a USD 86 milhões. O financiamento aos desenvolvedores, segundo Guillén, permitirá reduzir os custos de construção e, consequentemente, baratear as parcelas para as famílias beneficiadas.