Nesta sexta-feira, 16 de agosto, completam-se 20 anos da morte do general Alfredo Stroessner, o ditador que governou o Paraguai por 35 anos. Ele faleceu em 2006, aos 93 anos, no Hospital Santa Luzia, em Brasília, onde vivia exilado desde ser derrocado pelo golpe de Estado de 2 e 3 de fevereiro de 1989.
Stroessner, conhecido como "El Rubio", chegou ao poder em 1954 após uma série de manobras políticas e militares. Sua carreira havia incluído participação na Batalha de Boquerón, durante a Guerra do Chaco, e a ascensão ao comando das Forças Armadas em 1951. Segundo o acadêmico Andrew Nickson, autor de "Nueva Historia de Paraguay", seu regime se sustentou sobre três pilares: o Governo, os militares e o Partido Colorado, utilizando uma fachada democrática, repressão eficaz, corrupção institucionalizada, ideologia nacionalista e o apoio dos Estados Unidos.
O fim de sua ditadura veio por meio de um golpe liderado por seu até então braço direito e consogro, o general Andrés Rodríguez. Após sua morte, houve discussão sobre o destino de seus restos mortais. O então presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, deixou claro que não receberia o ex-ditador com honras de Estado. Stroessner foi enterrado no mesmo dia em Brasília. Entre os que carregaram o caixão estava um jovem Mario Abdo Benítez, filho do ex-secretário privado do ditador, que décadas mais tarde se tornaria presidente do Paraguai (2018-2023).
A data continua a dividir a memória do país. Enquanto simpatizantes do chamado stronismo ainda celebram o 3 de novembro, data de sua ascensão, familiares de desaparecidos e ativistas marcam sua queda anualmente, mantendo viva a lembrança do período para, segundo eles, evitar que um governo semelhante se repita.
