Peña reativa programa Cielo Guaraní Soberano para interceptar voos e combater narcotráfico no Paraguai

O presidente Santiago Peña reativou o programa "Cielo Guaraní Soberano" por meio do Decreto nº 6.057 para interceptar voos irregulares e combater o narcotráfico no Paraguai, estabelecendo uma comissão interinstitucional com apoio tecnológico dos Estados Unidos e investimentos em novos radares e aeronaves.

Governo reativa programa Cielo Guaraní Soberano com apoio dos EUA para blindar espaço aéreo contra o narcotráfico
Governo reativa programa Cielo Guaraní Soberano com apoio dos EUA para blindar espaço aéreo contra o narcotráfico

O presidente Santiago Peña assinou o Decreto nº 6.057, oficializando a reativação do programa "Cielo Guaraní Soberano" e criando uma comissão nacional interinstitucional para consolidar a vigilância e proteção do espaço aéreo paraguaio. O anúncio foi feito nesta terça-feira durante uma coletiva de imprensa em Mburuvicha Róga, com a presença das principais autoridades de segurança do Estado e do encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Paraguai, Robert Alter.

A nova normativa visa integrar mecanismos de inteligência, comunicação direta e reação conjunta para combater voos irregulares, o crime transnacional organizado e o narcotráfico. O programa, cujo desenho doutrinário tem origem no escritório da Força-Tarefa Conjunta do Comando Sul dos Estados Unidos em Key West, Flórida, operou inicialmente entre 2015 e 2020 antes de ser desativado. O ministro do Interior, Enrique Riera, criticou gestões anteriores, afirmando que o período de pausa resultou na desproteção do espaço aéreo, na retirada de scanners e na liberação de controles portuários, o que permitiu que organizações criminosas usassem o país como plataforma para contaminar contêineres com destino à Europa.

O comandante da Força Aérea Paraguaia, general do Ar Julio Rubén Fullaondo, esclareceu que o novo decreto habilita expressamente procedimentos de interceptação e captura de aeronaves em solo, mas não autoriza o abate das aeronaves em voo. A estratégia de blindagem aérea apoia-se em investimentos tecnológicos e armamentísticos, incluindo a aquisição de aviões Super Tucano no valor de 101 milhões de dólares, financiada por um empréstimo com recursos descontados dos dividendos de Itaipú, o reassentamento de dois radares móveis revitalizados e a chegada de radares primários provenientes dos Estados Unidos, previstos para o final de 2027.

Uma vez que a Força Aérea detecte e intercepte um voo clandestino, será ativada uma resposta terrestre coordenada envolvendo a Polícia Nacional, a SENAD, o Ministério Público, o Exército e a Marinha. Robert Alter ratificou o pleno apoio de seu governo por meio de assistência tecnológica e intercâmbio de informações, um esquema que se complementará regionalmente com as Normas Binacionais de Defesa Aérea vigentes com Argentina, Brasil e Bolívia. O ministro da Defesa Nacional, Oscar González, afirmou que a medida representa um sinal firme do compromisso do governo no combate ao crime organizado e ao terrorismo.