Peña troca comando da saúde em meio a greve médica e alerta sobre recursos do IPS

Santiago Peña trocou o comando da saúde paraguaia, nomeando Isaías Fretes ministro e Derlis León presidente do IPS, enquanto médicos mantêm greve por reajuste salarial e auditoria alerta para a concentração de recursos previdenciários no Ueno Bank.

Peña troca comando da saúde em meio a greve médica e alerta sobre recursos do IPS

O presidente Santiago Peña anunciou neste domingo, 13 de setembro de 2026, a troca no comando da saúde pública do Paraguai: Isaías Fretes deixou a presidência do Instituto de Previsión Social (IPS), entidade de seguridade social e saúde pública, para substituir María Teresa Barán no Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social. Derlis León, até então gerente de Saúde do IPS, assumiu a presidência da instituição.

A mudança ocorre durante uma crise com o Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), que mantém convocada uma greve nacional para os dias 21 e 22 de setembro. O sindicato reivindica um reajuste salarial e rejeitou a proposta governamental de priorizar a carreira sanitária. A Sociedade Paraguaia de Emergência Pediátrica (Sopep) declarou apoio à mobilização e afirmou que a vocação profissional não pode ser usada para justificar a precarização do trabalho.

Em sua primeira intervenção, Fretes prometeu negociar diretamente com os médicos e disse ter respaldo e “ferramentas” para buscar uma solução. “A dignificação salarial era um direito postergado do médico. Este governo vai considerar isso”, afirmou. O novo ministro declarou que espera concluir o entendimento ainda nesta semana, mas não apresentou publicamente os termos de uma eventual proposta.

Fretes também defendeu um piso salarial compatível com a profissão, citando os custos de formação continuada e os riscos jurídicos do exercício médico. A secretária-geral do Sinamed, Rossana González, desejou sucesso ao novo ministro, mas reiterou que a reivindicação salarial continua. A entidade ainda não anunciou a suspensão da greve.

Derlis León afirmou que dará continuidade ao trabalho iniciado por Fretes no IPS, com prioridade para o acesso a consultas, serviços e medicamentos. Médico pediatra e funcionário da instituição há 22 anos, ele também prometeu transparência e integração entre o IPS e o Ministério da Saúde.

A troca de comando coincide com questionamentos sobre a administração financeira do IPS. Uma auditoria da Controladoria-Geral da República recomendou monitoramento preventivo e diversificação dos investimentos após a participação do Ueno Bank alcançar 19,7% dos certificados de depósito de poupança em guaranis e 19,95% em dólares ao fim de 2025. O órgão apontou exposição significativa dos recursos previdenciários a uma única instituição privada e observou que o IPS não possui protocolos internos específicos para casos de insolvência bancária.

Também tramita um pedido judicial de acesso a informações sobre contas operacionais, depósitos, saldos, juros e documentos bancários do IPS em 2026. O economista e aposentado Sergio Lovera Cañete afirma que a instituição não respondeu dentro do prazo previsto pela Lei nº 5.282/2014. A alegação integra a ação apresentada por ele e ainda deverá ser apreciada pela Justiça.

Peña anunciou ainda que o orçamento de 2027 reservará US$ 760 milhões para medicamentos e insumos, quase 200% acima de 2023, além de US$ 195 milhões para o Instituto Nacional do Câncer. O governo diz ter investido mais de US$ 500 milhões em infraestrutura sanitária nos últimos três anos. María Teresa Barán, ao deixar o cargo, destacou hospitais, unidades de saúde da família e a ampliação da rede de terapia intensiva, mas reconheceu que “seguramente cometemos erros” e que ainda havia tarefas pendentes.

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