Médicos do Paraguai ameaçam renunciar em massa na segunda; greve segue sem acordo

Greve de médicos no Paraguai entra no quinto dia com ameaça de renúncia em massa de 39 cirurgiões pediátricos a partir de segunda-feira (30), enquanto o governo propõe reajuste escalonado de 76% em 14 meses e parlamentares divergem sobre fontes de financiamento.

Médicos do Paraguai ameaçam renunciar em massa na segunda; greve segue sem acordo

A greve nacional dos médicos do setor público no Paraguai entra no quinto dia nesta quinta-feira (27) sem acordo com o governo, e a categoria ameaça renuncias em massa a partir de segunda-feira (30). Cerca de 39 cirurgiões pediátricos de todo o país anunciaram que entregarão seus cargos caso não haja uma proposta concreta até sexta-feira (28).

O Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) mantém a paralisação de consultas e procedimentos eletivos, mas garante atendimento de urgências. A principal demanda é um reajuste salarial de 76%, que elevaria o piso atual de aproximadamente 5,4 milhões de guaranis para 8 milhões por vínculo de 12 horas semanais. O salário está congelado há 12 anos, e muitos profissionais acumulam até três vínculos para complementar a renda.

Na manhã desta quinta, representantes do sindicato se reuniram com senadores e os ministros da Saúde, María Teresa Barán, e da Economia, Óscar Lovera, mas não houve avanço. O governo alega que o reajuste solicitado custaria 128 milhões de dólares anuais, valor considerado inviável. Em contrapartida, propôs um plano de carreira para 1,5 mil médicos, rejeitado pelo Sinamed, que insiste em aumento generalizado.

A senadora Lilian Samaniego (Partido Colorado) apresentou uma proposta intermediária: elevar o piso para 7 milhões de guaranis, com reajustes escalonados em sete etapas ao longo de 14 meses. A medida, porém, ainda não foi formalizada pelo governo e será analisada pelos médicos em assembleia. A secretária-geral do Sinamed, Rossana González, afirmou que só avaliará a proposta após sua apresentação oficial.

Para pressionar as autoridades, os médicos intensificaram as mobilizações. Um grupo se deslocou para Encarnación, onde ocorre o Mundial de Rally, para dar visibilidade internacional ao conflito. A estratégia busca chamar atenção durante um dos maiores eventos esportivos do país, que atrai milhares de turistas.

Parlamentares divergem sobre como financiar o reajuste. O senador Silvio Ovelar (Partido Colorado) sugeriu aumentar impostos como o IRP e o IVA, mas a proposta foi criticada por outros legisladores. A bancada Honor Colorado, liderada por Natalicio Chase, rejeitou a elevação da carga tributária e apresentou um projeto de lei para criar uma taxa compensatória sobre produtos nocivos à saúde, como cigarros, destinando parte da arrecadação ao setor.

A ministra Barán afirmou que o orçamento do Ministério da Saúde, de 1,4 bilhão de dólares, é insuficiente para atender todas as demandas. Ela argumentou que ceder ao reajuste abriria precedente para outros setores, mas reconheceu a necessidade de corrigir distorções salariais, especialmente em relação ao IPS, onde médicos ganham menos.

Com a greve mantida, a categoria prepara novas mobilizações para sexta-feira (28) em Encarnación. A falta de acordo pode agravar a crise no sistema público de saúde, já sobrecarregado, e deixar milhares de pacientes sem atendimento especializado.

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Fontes (14)

Atualizado: 28 de ago. de 2026, 01:00