O vereador Álvaro Grau classificou como "ameaça velada" a nota enviada à Prefeitura de Assunção por José Montero, representante dos detentores de títulos da dívida municipal, na qual aceita o pagamento de mais de G. 90 bilhões pela dívida vencida dos bônus, mas reserva aos credores o direito de ações judiciais futuras.
Segundo Grau, o documento aceita uma proposta de pagamento em duas etapas — G. 50.941.301.370 entre 13 e 22 de maio e um saldo de G. 41.101.917.808 com vencimento máximo em 15 de setembro de 2026 — com o compromisso de não iniciar ações judiciais pela cobrança da dívida vencida até 31 de março de 2027, apenas se o cronograma for cumprido integralmente.
O vereador criticou a cláusula de "reserva expressa de direitos", que estabelece que pagamentos parciais não implicam renúncia, novação, transação, remissão ou extinção de direitos dos credores. O texto prevê a aplicação de juros moratórios com base na média ponderada das taxas de empréstimo de consumo com prazo superior a um ano, equivalente a 2,001% ao mês (24,02% ao ano), além de gastos judiciais, custos e custas, e reserva a possibilidade de aplicar a "máxima taxa legal permitida" em caso de judicialização.
Grau afirmou que os buscadores de crédito buscam cobrar um "juros sobre juros" que poderia chegar a 30%, com base em médias de taxa de consumo do sistema financeiro, pretensão que chamou de "descabellada". Os credores fundamentam sua posição no artigo 44 da Lei nº 489/95, Orgânica do Banco Central do Paraguai, e na Lei nº 2339/03, argumentando que os juros moratórios incidem sobre o saldo da dívida vencida e que não há capitalização de juros.
Para o vereador, a prioridade absoluta do município deve ser a conclusão das obras de drenagem pluvial nos bairros San Pablo, Santo Domingo e Manorá, onde os moradores já não conseguem entrar com veículos em suas residências por causa das escavações nas ruas Nuestra Señora del Carmen e Presbítero Justo Román. Grau advertiu que, devido à gestão financeira atual, as obras custarão o triplo do valor original, já que o dinheiro da emissão de bônus "desapareceu" e será necessário pagar certificados de obra, o capital da emissão e os juros, que duplicam o capital.
A atual administração do intendente Luis Bello recorre à arrecadação tributária para honrar os pagamentos com as construtoras responsáveis pela execução das obras de drenagem.
