Projeto para comprar remédios com corte de gastos emperra no Senado paraguaio

Um projeto que redireciona 500 bilhões de guaranis de gastos considerados supérfluos para a compra de medicamentos está parado no Senado paraguaio devido à falta de parecer da Comissão de Fazenda, que não se reuniu, revelando uma divisão interna no oficialismo.

Projeto para comprar remédios com corte de gastos emperra no Senado paraguaio

Um projeto de lei que propõe redirecionar 500 bilhões de guaranis de gastos considerados supérfluos do orçamento nacional para a compra de medicamentos enfrenta seu primeiro obstáculo no Senado paraguaio. A iniciativa, apresentada pelo senador Gustavo Leite, junto com Antonio Barrios e Orlando Penner, prevê a transferência de créditos de vários órgãos da administração central para o Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social.

O senador Leite defende que a medida, embora não resolva todos os problemas da saúde pública, é um sinal claro de que o Congresso deseja auxiliar o Poder Executivo. Ele destacou que os cortes incidiriam sobre itens "prescindíveis", como lanches, diárias e outros gastos de funcionamento, preservando recursos para áreas essenciais como o Judiciário, Educação e Relações Exteriores. "Os medicamentos são imprescindíveis. Pode-se deixar de comer lanches, pode-se deixar de viajar, mas o mais importante é incluir medicamentos oncológicos e para doenças catastróficas", explicou o parlamentar.

No entanto, o projeto esbarrou na resistência do presidente da Comissão de Fazenda e Orçamento, Silvio "Beto" Ovelar, também do Partido Colorado. A comissão, presidida por Ovelar, não se reuniu para emitir o parecer obrigatório sobre a proposta, o que resulta no seu adiamento automático, mesmo estando com pedido de preferência na pauta da sessão ordinária.

O impasse expõe uma divisão interna no oficialismo. Ovelar já havia criticado publicamente a iniciativa, argumentando que, se existissem tantos excessos no orçamento como Leite afirma, todos os senadores que o aprovaram teriam sido "uns trouxas". Ele questionou a viabilidade de "despir um santo para vestir outro", alertando que cortes em outras áreas poderiam prejudicar serviços públicos. "Ele, ao fazer uma avaliação desse tipo, está me batendo na cara ida e volta", declarou Ovelar em referência ao colega de bancada.

O projeto estabelece que os recursos transferidos devem ser usados exclusivamente para a aquisição de novos medicamentos, não para pagamento de dívidas, e exige a apresentação de relatórios mensais ao Congresso sobre a aplicação dos fundos. A disputa coloca em evidência as tensões dentro da bancada governista sobre as prioridades do gasto público em um momento de carência de remédios nos hospitais.

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Fontes (2)

Atualizado: 12 de ago. de 2026, 01:00