A Fundação Parque Tecnológico Itaipú (PTI-PY) abriu uma licitação de aproximadamente G. 11 bilhões para adquirir equipamentos de interceptação celular, incluindo IMSI catchers, drones de interceptação, escâneres de torres telefônicas e dispositivos de monitoramento wifi, com destino à Polícia Nacional.
A organização Tedic alertou que o uso desses aparelhos viola direitos fundamentais e enfraquece princípios básicos do Estado de direito, como o direito à privacidade, à proteção de dados pessoais, à liberdade de expressão e de reunião pacífica, além da presunção de inocência, ao tratar todas as pessoas sob vigilância como suspeitas sem justificativa.
Segundo a Tedic, um IMSI catcher se faz passar por uma torre de telefonia móvel para interceptar e coletar dados de todos os celulares ligados em seu raio de ação, capturando identificadores únicos como o IMSI do chip e o IMEI do aparelho sem que os usuários saibam. Uma vez conectado, o dispositivo pode obter a localização aproximada, identificar o número vinculado ao SIM, interromper ou bloquear chamadas e mensagens e, em alguns casos, forçar a degradação da rede de 4G para 2G, tornando-a mais vulnerável à interceptação de comunicações não criptografadas.
A entidade também advertiu que, em contextos de manifestações, os receptores IMSI podem ser usados para identificar todas as pessoas presentes, recolhendo os números únicos de seus telefones móveis, o que atentaria contra os direitos à privacidade, à liberdade de expressão e à liberdade de reunião.
Em 2021, a Tedic solicitou informações públicas para saber se o Estado paraguaio havia adquirido ou utilizava receptores IMSI. A resposta da Polícia Nacional foi ambígua: não pôde confirmar nem desmentir seu uso no Paraguai, o que, segundo a organização, deixa a cidadania em situação de incerteza e desproteção.
O especialista em cibersegurança Luis Benítez afirmou que, se o uso desses equipamentos não está proibido, deveria estar. Ele observou que os serviços de inteligência já dispõem de outros meios para monitorar e gravar conversas sem os catchers, e que esses dispositivos servem mais para confundir e isolar alvos em operações de campo. Benítez acrescentou desconhecer a legislação paraguaia, mas considerou provável que a prática esteja proibida.
O edital da licitação exige que os ofertantes comprovem experiência específica no fornecimento de equipamentos IMSI catcher realizados no Paraguai ou na região nos últimos sete anos, o que, na prática, restringe quase automaticamente o universo de possíveis fornecedores às mesmas empresas que já venceram contratos anteriores.