Relatório de Peña ao Congresso e reações

O presidente Santiago Peña apresentou seu terceiro informe ao Congresso com dados de crescimento, pobreza, emprego e obras, mas a cobertura reunida mostra um balanço contestado por oposição, economistas e setores sociais por omissões sobre déficit, dívidas, saúde, energia, corrupção e desigualdade.

Relatório de Peña ao Congresso e reações
Ilustração gerada por IA.

O terceiro informe de gestão de Santiago Peña ao Congresso apresentou uma narrativa de avanço econômico e coordenação institucional, mas também abriu uma disputa pública sobre o que ficou fora do discurso presidencial. O governo destacou crescimento do PIB, queda do desemprego, redução da pobreza, obras, programas sociais e a relação com o Legislativo; opositores e analistas responderam que o balanço omitiu problemas fiscais, contratação pública, saúde, energia e desigualdade.

A fala presidencial foi construída em torno da ideia de estabilidade e de um Paraguai em seu melhor momento econômico. Peña e aliados citaram crescimento de 6,6%, grau de investimento, queda do desemprego, aumento do salário mínimo, redução da pobreza e uma suposta capacidade de coordenar reformas com o Congresso. Fontes governistas também associaram o resultado à promulgação de leis, ao consenso político e à atuação de ministros em áreas como habitação, educação, transporte, saúde e segurança.

Essa leitura foi reforçada por parlamentares e dirigentes próximos ao governo. Raúl Latorre e outros aliados defenderam os números de investimento e crescimento, enquanto senadores como Derlis Maidana, Chase e Pettengill avaliaram o informe como realista ou aprovado, ainda que alguns tenham apontado problemas de comunicação. Também houve menções positivas a obras, saúde, combate ao crime organizado, moradia, Hambre Cero, Che Róga Porã, Yguazú Digital e à relação diplomática com Israel.

A oposição e setores críticos, porém, descreveram outro país. Parlamentares afirmaram que o crescimento não chega às famílias, que a pobreza continua exigindo rifas e mobilização comunitária para resolver problemas básicos, e que as cifras oficiais foram apresentadas sem reconhecer a precariedade cotidiana. ABC Color, Última Hora, El Nacional e outras fontes reuniram críticas sobre pobreza, emprego informal, déficit habitacional, saúde pública, falta de medicamentos e ausência de respostas para setores vulneráveis, incluindo povos indígenas.

O flanco econômico também concentrou questionamentos. Reportagens apontaram que Peña exaltou investimento e estabilidade, mas evitou dar peso a déficit fiscal, economia de guerra, dívidas com fornecedores, burocracia, insegurança jurídica e energia. Economistas e ex-ministros advertiram que a macroeconomia vigorosa não resolve sozinha os problemas sociais, e que exagerar os números pode esvaziar a credibilidade do informe.

A saúde apareceu como uma das áreas mais sensíveis. O presidente reconheceu que o setor ainda é uma matéria pendente e prometeu exigir mais de seus ministros, enquanto aliados destacaram investimento histórico. Ao mesmo tempo, médicos, opositores e veículos críticos apontaram mortes por pobreza, falta de medicamentos, precariedades no sistema público, problemas no IPS e a distância entre anúncios oficiais e atendimento real.

Também houve críticas sobre temas omitidos ou tratados de forma superficial. Fontes mencionaram os chamados Sobres del Poder, Ueno, patrimônio de autoridades, corrupção, contratos, dívidas, energia, sequestros, crise na ANDE, Yguazú Digital, o trem Assunção-Luque ainda inexistente, transporte público e promessas de segurança. Para críticos, o informe selecionou conquistas e evitou entrar nos custos políticos e fiscais da gestão.

No campo político, a sessão ocorreu sob tensão. Houve ausências e críticas de setores colorados dissidentes, além de reações de bancadas opositoras que classificaram o informe como repetido, propagandístico ou distante da realidade. A presença do Congresso como palco da prestação de contas contrastou com a crítica de que Peña havia priorizado antes seu partido e seus aliados, alimentando acusações de uso político do relatório.

O resultado é um informe com dois eixos em conflito. Para o governo, a mensagem consolida uma narrativa de crescimento, ordem fiscal, reformas e coordenação entre poderes. Para opositores, economistas e setores sociais, o mesmo conjunto de fontes mostra que o país ainda convive com pobreza, informalidade, déficit habitacional, saúde deteriorada, dúvidas sobre contratação e uma lista de omissões que não cabem no discurso oficial.

A relevância pública do episódio está menos em uma frase isolada do presidente e mais na disputa sobre a prestação de contas. O informe serviu para que Peña defendesse sua gestão, mas também organizou em torno de um mesmo evento as críticas sobre contratos, saúde, economia, segurança, energia e desigualdade que marcarão a avaliação política do governo nos próximos meses.

Fontes (38)

Atualizado: 2 de jul. de 2026, 16:50