Senado paraguaio fica sem quórum e adia auditoria de máquinas antes das municipais

O Senado paraguaio adiou, por falta de quórum, a votação de uma auditoria independente em máquinas de votação antes das eleições municipais de 4 de outubro, após senadores governistas deixarem o plenário; o pedido surgiu de possíveis inconsistências em atas eleitorais, ainda sem comprovação de fraude.

Senado paraguaio fica sem quórum e adia auditoria de máquinas antes das municipais

O Senado do Paraguai ficou sem quórum e não conseguiu votar um pedido para receber duas máquinas de votação do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) e submetê-las a uma auditoria técnica antes das eleições municipais de 4 de outubro. A proposta, apresentada pelo senador Ever Villalba, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), permanece sem decisão.

A sessão foi esvaziada depois que senadores do movimento Honor Colorado, setor cartista do Partido Colorado, e aliados deixaram o plenário. Basilio “Bachi” Núñez, presidente do Senado e do Congresso, defendeu a retirada e classificou a iniciativa como extemporânea, alegando que o calendário eleitoral já está em andamento. Derlis Maidana também considerou o pedido “improcedente e descabellado”.

Villalba afirma ter identificado atas de eleições internas do PLRA e da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, nas quais aparecem zero votos em mesas que, segundo registros publicados pelo TSJE, tiveram votação. O senador diz tratar o caso como uma possível falha, e não como fraude comprovada: “Precisamos de auditoria para falar em fraude”.

O projeto previa uma análise ampla dos equipamentos, incluindo sistema operacional, firmware, bibliotecas, controladores, aplicativos, módulos criptográficos, componentes de terceiros, versões e licenças. Também propunha testes antes e depois da eleição, com participação pública de técnicos, especialistas e acadêmicos.

O TSJE iniciou em 2 de fevereiro uma auditoria de hardware e software das máquinas, com representantes técnicos de organizações políticas, e realizou ainda uma revisão solicitada pela ANR antes de suas eleições internas. Villalba sustenta, porém, que esses procedimentos não responderam às dúvidas levantadas pelas atas e afirma que não foi convidado para as auditorias nem conseguiu incluir os técnicos que indicou.

Rafael Filizzola apoiou a nova verificação e disse que ela não pretende alterar o sistema previsto em lei nem impedir o uso das máquinas. Eduardo Nakayama adotou uma posição mais cautelosa e afirmou que casos isolados não permitem concluir que houve fraude. Já Dionisio Amarilla, senador liberal alinhado ao cartismo, criticou Villalba por ter apoiado anteriormente recursos para alugar os equipamentos.

Amarilla afirmou que o aluguel custará US$ 33 milhões, enquanto a impressão de cédulas teria custo estimado de US$ 3 milhões. O dado foi apresentado por ele durante o debate e não resolve, por si só, a controvérsia técnica sobre as máquinas. Com a falta de quórum, o Senado não produziu uma decisão adicional sobre a auditoria.

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