O senador Rafael Filizzola afirmou que os consumidores paraguaios estão pagando pela carne bovina preços cada vez mais próximos aos valores praticados no mercado internacional, e atribuiu o fenômeno à forte orientação exportadora do setor cárnico do país e à elevada concentração do mercado.
Cerca de 90% da produção paraguaia de carne é destinada a mercados externos, o que faz com que as oscilações nos preços internacionais repercutam diretamente no mercado interno. "O aumento dos preços internacionais impulsiona maiores exportações, reduz a oferta disponível para o consumo interno e provoca incrementos nos preços que os paraguaios pagam", declarou.
Filizzola descreveu o que chamou de situação paradoxal: embora o Paraguai seja um dos principais exportadores de carne do mundo, os consumidores locais acabam arcando com valores semelhantes aos de países de renda muito mais elevada. "Os paraguaios pagam preços internacionais pela carne, mas não recebem os benefícios dos mercados internacionais", afirmou.
O senador citou dados da Comisión Nacional de la Competencia (Conacom) — que, segundo ele, indicam que cinco frigoríficos concentram aproximadamente 85% da faena bovina do país. De acordo com o ranking médio de participação de mercado dos últimos cinco anos, a Frigomerc SA, do grupo Minerva Foods, lidera com 38,8% de participação, seguida pelo Frigorífico Concepción, com 22,3%. Mais atrás figuram Frigochaco, Frigochorti e Neuland, cada um com cerca de 9% do mercado.
Para Filizzola, essa estrutura configura um duplo poder de mercado: "Oligopsônio na compra de gado e oligopólio na venda de carne". O senador questionou a ideia de que qualquer tentativa de regulación implique distorção do mercado e sustentou que as condições atuais estão longe de representar um cenário de livre competição.
No mesmo contexto, Filizzola respaldou o projeto de lei apresentado pelo senador Éver Villalba, que propõe estabelecer uma margem máxima de utilidade de 10% para três cortes populares de carne vacuna. A iniciativa não busca fixar preços de forma arbitrária, mas limitar as margens de rentabilidade em produtos essenciais para facilitar o acesso dos consumidores. "Ao estabelecer uma margem razoável de 10% de utilidade sobre o custo, assegura-se um equilíbrio entre o direito do produtor a obter benefícios e o direito do consumidor a alimentar-se com dignidade", destaca o texto do projeto.
O senador também alertou sobre o impacto do encarecimento da carne na alimentação das famílias paraguaias e em uma das tradições mais arraigadas do país. "Cada vez mais famílias têm dificuldades para acessar o tradicional asado de fim de semana, um costume histórico dos paraguaios", afirmou.
