Um Tribunal de Contas do Paraguai decidiu a favor de uma comissão de moradores de Atyrá, ordenando que a municipalidade local retire as tubulações instaladas pela empresa Highlands Park para extrair água do Aquífero Caacupé. A decisão, conhecida nesta segunda-feira, anula uma medida cautelar que permitia ao empreendimento imobiliário utilizar um poço profundo no território de Atyrá para abastecer seu projeto, o complexo Highlands Lagoon Lifestyle, localizado em Ypacaraí.
O advogado Víctor Samaniego, representante do grupo "Defensores do Aquífero Caacupé", explicou que, com a anulação, volta a valer uma resolução municipal anterior que proíbe a extração. Isso obriga a prefeitura a remover a infraestrutura já instalada, que inclui um aqueduto de aproximadamente nove quilômetros. Samaniego atribuiu a vitória legal à persistente mobilização comunitária, que incluiu manifestações e vigílias sob o lema "o Aquífero Caacupé não se vende, se defende".
Apesar do resultado positivo, o advogado afirmou que os moradores permanecem em estado de alerta. Ele destacou que a pressão popular foi crucial para reverter duas medidas cautelares concedidas anteriormente à empresa e que a ameaça de novos recursos judiciais ainda é uma preocupação. "Estamos sempre alertas; foi nossa mobilização que pressionou para que a justiça fosse feita. A resolução municipal está correta, mas estamos no Paraguai e o perigo sempre está latente", declarou Samaniego.
O conflito começou há cerca de um ano, quando moradores denunciaram a perfuração do poço e a instalação do aqueduto para uso exclusivo do complexo, desenvolvido pela empresa Petrohue Real Estate S.A. O Aquífero Caacupé é uma importante fonte de água subterrânea localizada no departamento de Cordillera.
