Acidente em Pedrozo mata sexta vítima e ministra ordena remoção do semáforo

Após a sexta morte no acidente de Pedrozo, a ministra Claudia Centurión ordenou a remoção do semáforo do local em até 30 dias.

Acidente em Pedrozo mata sexta vítima e ministra ordena remoção do semáforo

O número de vítimas do acidente ocorrido no sábado (15 de agosto) no cruzamento de Pedrozo, em Ypacaraí, subiu para seis. Virginio Sánchez, de 45 anos, que estava internado em estado grave no Hospital Nacional de Itauguá, não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã desta terça-feira (18 de agosto). O condutor do caminhão, Víctor Raúl De la Cruz, de 48 anos, que havia sido indiciado por homicídio culposo, recebeu a notícia durante uma entrevista e expressou profundo pesar, afirmando que a sexta morte "atinge muito mais" e que seu destino pessoal importa menos do que o das vítimas. A cobertura anterior da tragédia de Pedrozo detalha o acidente inicial.

O Juzgado Penal de Garantías de Capiatá decretou a prisão preventiva do motorista, rejeitando pedidos de medidas alternativas. Ele permanecerá detido em Tacumbú enquanto o Ministério Público prossegue com as investigações, que incluem a análise da velocidade do veículo e a razão pela qual a rampa de escape não foi utilizada durante a descida do Cerro Caacupé.

Em meio à comoção, o Congresso Nacional realizou um emocionante ato de despedida para dois de seus funcionários, Fátima Silva e Marcelo Ávalos, e seus dois filhos, Fernando Jesús e Fátima Sabrina, que estavam entre os falecidos. Os quatro foram velados no próprio Congresso, onde o casal trabalhava há anos. Fabián Ávalos Silva, filho sobrevivente da família, pediu que seus entes queridos fossem lembrados "com muito amor". A senadora colorada Lilian Samaniego apresentou um pedido para que Fabián seja nomeado como funcionário do Legislativo.

A tragédia reacendeu fortemente o debate político sobre as responsabilidades do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC). Um grupo de 14 deputados de oposição apresentou formalmente um pedido de interpelação à ministra Claudia Centurión, exigindo explicações sobre os atrasos nas obras do viaduto que deveria substituir o cruzamento semafórico, originalmente previsto para maio de 2026. O deputado Pedro Gómez (PLRA) foi enfático ao classificar a negligência como "criminal" e afirmar que a ministra "é a única responsável".

No entanto, a bancada governista, Honor Colorado, já sinalizou que rejeitará o pedido. Líderes como o presidente da Câmara, Raúl Latorre, e o líder da bancada, Miguel del Puerto, argumentaram que a interpelação "soa a politizar" a tragédia, sugerindo que uma conferência de imprensa da ministra seria suficiente. A posição foi criticada pela oposição, com a deputada Johanna Ortega (PPS) classificando-a como "cinismo" e afirmando que mais de 60 mortes no local não podem ser consideradas meros acidentes, mas sim "negligência criminal".

Em resposta à pressão, o MOPC anunciou uma medida imediata: a remoção do semáforo no cruzamento de Pedrozo. A ministra Claudia Centurión afirmou que determinou à concessionária Rutas del Este que elimine o equipamento no prazo de 21 a 30 dias, após a construção de faixas de aceleração e desaceleração para garantir a segurança do tráfego. Centurión também afirmou que a liberação de terrenos para o viaduto foi resolvida judicialmente e exigiu que a obra, atualmente 47% concluída, seja acelerada para conclusão em três meses, e não nos cinco a seis meses previstos anteriormente.

Entretanto, proprietários de terrenos afetados pela obra do viaduto, Carlos e Sandra Ayala, contestaram as alegações do MOPC de que disputas fundiárias foram a principal causa do atraso. Eles afirmaram que a expropriação de suas terras já havia sido resolvida e que a controvérsia era apenas sobre o valor indenizatório. Eles também criticaram o projeto atual do viaduto, considerando-o uma solução inferior e mais barata em comparação com o projeto longitudinal originalmente proposto.

Enquanto isso, propostas técnicas para uma solução definitiva continuam surgindo. O engenheiro Arquímedes Delgado, em entrevista, calculou que mais de 100 pessoas morreram no local nas últimas três décadas. Ele defendeu a construção de uma variante que contorne o Cerro Caacupé com inclinação adequada, uma solução que ele estima custar cerca de US$ 20 milhões, questionando: "Quanto custam as vidas humanas que estamos perdendo?".

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Fontes (34)

Atualizado: 19 de ago. de 2026, 01:00