O Ueno Bank, controlado pelo Grupo Vázquez SAE e presidido por Federico Miguel Vázquez, ampliou em julho sua participação nos depósitos públicos do Paraguai, alcançando G. 5,1 trilhões (US$ 862 milhões) em recursos do Estado e do Instituto de Previdência Social (IPS). Em apenas 30 dias, a instituição captou G. 312,5 bilhões (US$ 52 milhões) adicionais, consolidando um crescimento acelerado desde setembro de 2023, quando recebeu os primeiros depósitos do IPS em Certificados de Depósito de Poupança (CDA).
Os dados do Ministério da Economia e Finanças (MEF) mostram que o Ueno foi o único banco privado a registrar aumento significativo de liquidez estatal no mês passado, enquanto outras instituições financeiras enfrentaram saques. No ranking geral, a entidade ocupa o segundo lugar, atrás apenas do Banco Nacional de Fomento (BNF), que administra G. 6,9 trilhões (US$ 1,166 bilhão) em recursos públicos. Do total captado pelo Ueno, G. 2,7 trilhões (US$ 468 milhões) estão em depósitos à vista, e G. 2,3 trilhões (US$ 388 milhões) em CDA, dos quais G. 1,7 trilhão provêm do IPS.
A concentração de recursos públicos no Ueno reacendeu o debate sobre a relação entre os depósitos estatais e o patrimônio efetivo da instituição. Segundo o último balanço, o banco registrava patrimônio efetivo de G. 2,2 trilhões no encerramento de 2025, valor que representa menos da metade dos G. 5,1 trilhões atualmente sob sua gestão. A disparidade motivou um projeto de lei do deputado colorado Mauricio Espínola, que propõe estabelecer limites para depósitos públicos com base na solvência das instituições financeiras.
Em resposta a questionamentos recentes sobre suas operações, o Ueno Bank divulgou um comunicado negando irregularidades e criticando reportagens que compararam seus investimentos em tecnologia com os de outros bancos. A instituição argumentou que as análises ignoram diferenças de escala, modelo de negócios e necessidades operacionais entre as entidades. Nos últimos 18 meses, o banco destinou US$ 120 milhões a infraestrutura tecnológica, incluindo processamento de transações, cibersegurança e canais digitais, para sustentar uma base de 3 milhões de clientes e mais de 70 milhões de transações mensais.
O Ueno também rebateu críticas sobre a classificação contábil de seus ativos intangíveis, afirmando que a Resolução SB.SG. N.º 00105/2024 não exige registro em "Investimentos Maiores" quando a amortização não ultrapassa cinco anos. A instituição destacou ainda que é auditada por PwC, possui ratings internacionais de BB/Estável e conta com participação acionária do OTP Bank Plc., além de financiamento de mais de 15 organismos multilaterais. Sobre os depósitos do IPS, o banco ressaltou que o órgão confirmou a adequação às normas regulatórias, aplicadas igualmente a todas as 14 instituições financeiras com as quais opera.
Em nota, o Ueno solicitou formalmente ao Grupo ABC a retificação de informações que considera infundadas, invocando o direito de resposta previsto na Constituição. A entidade afirmou que as publicações não apresentaram evidências concretas de irregularidades, limitando-se a interpretações e hipóteses. Análises anteriores já haviam apontado que os ativos intangíveis do banco superam a soma dos nove principais concorrentes tradicionais do país.
