Vereador denuncia contratos irregulares e investigações lentas em gestões de Assunção

O vereador Álvaro Grau denuncia contratos irregulares de limpeza na gestão de Luis Bello, critica a lentidão do Ministério Público em investigar desvios da gestão anterior de Nenecho Rodríguez e relata avanços judiciais no caso do "detergente de ouro".

Vereador denuncia contratos irregulares e investigações lentas em gestões de Assunção

O vereador Álvaro Grau, do Partido Pátria Querida (PPQ), denunciou uma série de irregularidades na administração municipal de Assunção, liderada pelo intendente Luis Bello do Partido Colorado (ANR), acusando-a de repetir práticas da gestão anterior de Óscar "Nenecho" Rodríguez. Grau afirmou que a cidade continua suja, apesar de contratos milionários envolvendo a compra e o aluguel de caminhões coletores de lixo.

O vereador questionou especificamente a adjudicação direta para a compra de 11 caminhões coletores, num valor total que, somado aos aluguéis, chegaria a G. 109.000 milhões. Segundo Grau, as especificações técnicas do edital, como a exigência de um sistema de freio específico e uma capacidade de 17 metros cúbicos fora da caçamba, teriam limitado a participação a apenas duas empresas, caracterizando uma licitação direcionada.

Além disso, Grau apontou que a prefeitura ampliou um contrato de aluguel de caminhões por G. 6.000 milhões e que a Direção de Riscos propõe um novo contrato de G. 3.500 milhões, justificado pela chegada do fenômeno El Niño. O vereador suspeita que a motivação real, a dois meses das eleições municipais, seja contratar pessoal para a campanha política. "São caminhões fantasmas, porque a cidade sempre esteve suja. Aí a gente percebe os negócios que há por trás", declarou.

Em paralelo, Grau criticou a lentidão do Ministério Público na investigação sobre o destino de G. 500.000 milhões utilizados durante a gestão de Nenecho Rodríguez, que ele classificou como o maior desvio de fundos da história da cidade, e cobrou celeridade no caso.

Enquanto isso, avançam as ações judiciais relacionadas ao escândalo de corrupção conhecido como "detergente de ouro", ocorrido na mesma gestão anterior. Édgar Fabián Estigarribia Gavilán, ex-diretor geral de Gestão e Redução de Riscos de Desastres, foi condenado a dois anos de prisão, mas não irá para a cadeia após aceitar um procedimento abreviado. Ele deve reparar G. 135 milhões à Municipalidade, com G. 100 milhões pagos à vista e o restante em parcelas, além de doar G. 15 milhões a um asilo de idosos.

O caso, que causou um prejuízo patrimonial de G. 1.808 milhões ao município com a compra superfaturada de itens de limpeza – incluindo um detergente francês cotado a quase G. 400.000 por litro –, ainda envolve outros acusados. A Sala Penal da Corte Suprema de Justiça destravou recentemente a ação contra o ex-intendente Nenecho Rodríguez e o ex-vereador César Ojeda Figueredo, cuja audiência preliminar ainda está pendente. Já Wilfrido Cáceres, apontado como braço direito de Nenecho, teve sua causa elevada a julgamento oral por lesão de confiança.

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Fontes (3)

Atualizado: 7 de ago. de 2026, 00:10