Paraguai coordena estratégia interinstitucional para se adaptar ao acordo UE-Mercosul

O governo paraguaio, por meio de uma articulação técnica entre ministérios e órgãos reguladores, prepara a estrutura estatal e produtiva para as exigências do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O governo do Paraguai está em processo de articulação técnica para preparar a estrutura estatal e produtiva do país diante das normas do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A iniciativa foi detalhada durante um programa de capacitação e socialização promovido pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizado na sede da instituição financeira em Assunção.

O vice-ministro de Economia e Planejamento, Gerardo Ruiz Díaz, afirmou que a coordenação interinstitucional e o compromisso técnico serão fatores determinantes para que o Paraguai consiga uma adaptação adequada às exigências europeias e aproveite as vantagens competitivas do pacto birregional. “O impacto do acordo para a economia paraguaia vai além da meta inicial de expandir o intercâmbio comercial com um bloco de aproximadamente 450 milhões de consumidores de alto poder aquisitivo”, destacou Ruiz Díaz.

Segundo ele, a estratégia de fundo busca usar o acordo como catalisador para fortalecer a inserção internacional do país, diversificar a matriz de destinos de exportação, atrair investimentos externos diretos e estruturar um ecossistema local propício ao desenvolvimento de uma produção industrial mais sofisticada, competitiva e com elevado valor agregado.

Entre os setores com maior potencial de expansão, sob as cotas e preferências do acordo, estão a carne bovina, os biocombustíveis, o açúcar, os óleos vegetais, a indústria florestal, o couro e os alimentos processados de base agropecuária, além de serviços logísticos e tecnológicos ligados ao comércio exterior. Também há perspectivas favoráveis para a incorporação do Paraguai em cadeias regionais de valor por meio da exportação de manufaturas leves, alimentos diferenciados com certificação de origem, produtos madeireiros, têxteis técnicos, química básica e bens industriais específicos.

O evento contou com a presença do representante do BID no país, Alonso Chaverri-Suárez, e reuniu equipes técnicas dos ministérios da Economia, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, e Agricultura e Pecuária, além de representantes da Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT), do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) e do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (Senave). Essas instituições serão responsáveis pela fiscalização, certificação e controle dos fluxos comerciais sob os novos parâmetros internacionais.