Hidrantes do Mercado 4 funcionam, mas infraestrutura segue precária, admite prefeitura

Bombeiros voluntários e a Prefeitura de Assunção inspecionaram hidrantes no Mercado 4 e confirmaram que o sistema de água está operacional. No entanto, a administração reconheceu que a infraestrutura contra incêndios do novo edifício, financiado pela Itaipu, está inacabada e que o mercado sofre com décadas de falta de manutenção.

Bombeiros voluntários, em conjunto com funcionários da Prefeitura de Assunção, realizaram na noite de terça-feira uma inspeção nos hidrantes do Mercado Municipal Nº 4, um dos centros comerciais mais movimentados da capital e considerado de alto risco para incêndios.

A vistoria abrangeu a pressão, o estado das válvulas e a acessibilidade das bocas de incêndio em diferentes setores do mercado. O diretor do Mercado 4, Alejandro Buzo, afirmou que a ação faz parte de um plano de prevenção iniciado no ano passado, com apoio de diversas companhias de bombeiros. “Não podemos ignorar o que vem acontecendo em outros mercados, que também serve como alerta”, declarou.

O capitão Carlos Céspedes, da Vigésima Companhia do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai (CBVP), explicou que a equipe verificou o funcionamento completo dos hidrantes. “Checamos os hastes, as chaves de abertura, as saídas e a pressão residual”, detalhou. Segundo ele, todos os hidrantes inspecionados na área do Mercado 4 estão operacionais e em condições de responder a incêndios de grande porte.

Apesar do resultado positivo dos testes, a Prefeitura de Assunção admitiu que o Mercado 4 enfrenta graves problemas estruturais e de prevenção. Buzo reconheceu que o sistema contra incêndios do novo edifício, financiado anos atrás com recursos da Itaipu, ficou inacabado e atualmente não funciona. “Não há sistema hidráulico nem sistema de detecção”, afirmou. Ele também alertou sobre problemas estruturais na área onde está localizado o tanque de água do edifício, situação já comunicada à binacional.

As autoridades municipais apontaram ainda que outros mercados municipais apresentam deficiências significativas, especialmente nas instalações elétricas e em estruturas deterioradas. Segundo Buzo, um dos principais problemas ocorre durante chuvas, devido a infiltrações e telhados antigos. A prefeitura iniciou levantamentos elétricos e trabalhos de regularização de medidores junto à Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), mas reconheceu limitações orçamentárias para realizar reparos de fundo. “Há uma fragilidade na infraestrutura que corresponde a muitos anos de falta de manutenção”, sustentou o diretor, que insistiu que a melhoria real das condições de segurança exige investimentos significativos, e não apenas medidas preventivas ou vistorias periódicas.