Alto Paraguai corre risco de ser apenas espectador do Corredor Bioceânico por falta de infraestrutura

O departamento de Alto Paraguai corre o risco de ser apenas espectador do Corredor Bioceânico devido à falta de infraestrutura básica, como estradas transitáveis, água potável e energia elétrica, enquanto Boquerón concentra investimentos privados na região.

Alto Paraguai corre risco de ser apenas espectador do Corredor Bioceânico por falta de infraestrutura
Ilustração gerada por IA.

Apesar de o Corredor Bioceânico ser visto como o segundo Canal do Panamá e promover forte impacto social e econômico ao ligar os oceanos Atlântico e Pacífico, o departamento de Alto Paraguai corre o risco de ficar apenas como espectador desse desenvolvimento. Embora mais de 600 km da nova rota atravessem o Chaco paraguaio, passando por Boquerón e Alto Paraguai, a falta de infraestrutura básica impede que a região mais ao norte aproveite as oportunidades.

O governador Arturo Méndez (HC) afirmou que, enquanto Boquerón concentra investimentos privados — como a previsão de dois hotéis internacionais em Loma Plata e áreas de estacionamento para caminhões —, Alto Paraguai sofre com estradas intransitáveis, falta de água potável e energia elétrica precária fornecida pela ANDE.

“Até que o Estado paraguaio decida investir para sanar essas carências que afetam os moradores postergados de Alto Paraguai, infelizmente seremos simples espectadores do desenvolvimento econômico que a nova rota Bioceânica vai gerar”, declarou o governador. Segundo ele, a tentativa da governração de manter os caminhos transitáveis esbarra na extensão da rede viária local e na escassez de recursos.

A piora no isolamento rodoviário já tem reflexos diretos na economia local. Até 2024, segundo a Associação Rural do Paraguai (ARP)-Regional Alto Chaco, o departamento respondia por 33% da carne bovina exportada pelo país, com um rebanho de quase dois milhões de cabeças. Porém, as cheias que bloquearam estradas em 2025 e 2026 derrubaram essa participação para 26%, conforme o presidente da entidade, Nevercindo Cordeiro.

“Quando não temos caminhos, os animais perdem peso e isso representa perdas econômicas”, disse o produtor, ao cobrar do governo nacional a construção de vias permanentes para destravar a pecuária e atrair investimentos à região. Enquanto isso, em Boquerón, o avanço da rota já se traduz em modernos postos de combustível e novos empreendimentos hoteleiros, evidenciando o contraste entre os dois departamentos do Chaco paraguaio diante da obra de integração regional.

Fontes (1)

Atualizado: 26 de jun. de 2026, 09:03