Após incêndio de carro em Yasy Cañy, Ministério Público pede reforço da segurança de César Candia

Após o incêndio do carro do jornalista César Candia em Yasy Cañy, o Ministério Público solicitou reforço de sua segurança, enquanto a Polícia informou que a custódia já estava em operação; o caso reacendeu o debate sobre a proteção de jornalistas no Paraguai, incluindo propostas legislativas e críticas de entidades civis.

Após incêndio de carro em Yasy Cañy, Ministério Público pede reforço da segurança de César Candia

O Ministério Público do Paraguai solicitou reforço imediato na segurança do jornalista César Candia e de sua família após o incêndio do carro dele, durante a madrugada de sexta-feira, em frente à residência da família em Yasy Cañy, no departamento de Canindeyú. Separadamente, a Polícia informou que medidas de custódia já estavam em operação.

Imagens de câmeras de segurança mostram uma pessoa com o rosto coberto aproximando-se do veículo, espalhando um líquido aparentemente inflamável e ateando fogo antes de fugir. Candia, correspondente das emissoras SNT e C9N e administrador do portal Noticias al Día, classificou o episódio como um ataque contra ele e seus familiares. A autoria e a motivação ainda são desconhecidas.

O agente fiscal Néstor Narváez, da Unidade Penal nº 2 da Promotoria Zonal de Curuguaty — órgão local do Ministério Público — foi designado para conduzir a investigação. Ele esteve no local com policiais e peritos de criminalística para recolher evidências. A solicitação formal de reforço da segurança foi encaminhada pelo representante do Ministério Público ao chefe policial da região.

Em entrevista à ABC Color, o diretor de Polícia de Canindeyú, comissário Ramón Escobar, afirmou que a custódia de Candia já estava operacional e que a corporação trabalhava com o Ministério Público para identificar os responsáveis materiais e intelectuais. Escobar disse que a investigação ainda não permite apontar setores políticos ou pessoas específicas. Ele também mencionou semelhanças com o caso de Pablo Medina, jornalista assassinado na mesma região em 2014.

O Sindicato de Jornalistas do Paraguai (SPP) pediu uma investigação “urgente, séria e efetiva”, proteção para Candia e sua família e garantias para que ele continue trabalhando. Em junho de 2025, a Sociedade de Comunicadores do Paraguai denunciou ameaças de morte recebidas pelo jornalista e cobrou proteção e investigação; ainda não há confirmação de que as ameaças tenham relação com o incêndio.

O episódio coincide com uma nova discussão no Congresso sobre a proteção de jornalistas e defensores de direitos humanos. Em 2026, a Comissão de Direitos Humanos do Senado convocou uma mesa técnica para analisar dois projetos de lei sobre o tema. Representantes do SPP e da Coordenadoria de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy) criticaram uma proposta do oficialismo que criaria uma estrutura de proteção dentro do Ministério do Interior. Para esses representantes, concentrar a segurança de jornalistas no ministério poderia abrir espaço para decisões seletivas e comprometer a independência da imprensa.

A proposta de proteção começou a ser elaborada em 2019 e foi apresentada oficialmente em 26 de abril de 2023. Em outubro de 2025, já tinha cinco pareceres favoráveis de comissões do Senado; no fim daquele ano, a Câmara Alta postergou o debate. A discussão também envolve uma sentença de dezembro de 2022 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o Estado paraguaio no caso de Santiago Leguizamón e determinou a criação de uma lei de proteção a jornalistas e defensores de direitos humanos.

Medina e sua assistente, Antonia Almada, foram assassinados em 16 de outubro de 2014, em Villa Ygatimí, também em Canindeyú. As investigações apontaram o então prefeito de Ypejhú, Vilmar “Neneco” Acosta Marques, como mandante do crime; ele foi condenado no Paraguai, mas as informações disponíveis não especificam a pena.

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Fontes (5)

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