O Estado paraguaio realizou nesta quarta-feira, 27 de julho de 2026, um ato público de reconhecimento de sua responsabilidade internacional pelo assassinato do jornalista Santiago Leguizamón Zaván, ocorrido em 26 de abril de 1991 em Pedro Juan Caballero. A cerimônia, no Salão Serafina Dávalos do Palácio da Justiça em Assunção, cumpriu parte da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no caso "Santiago Leguizamón Zaván e Outros vs. Paraguai".
O presidente da Corte Suprema de Justiça, Alberto Martínez Simón, representou o Estado e admitiu que as instituições deram respostas insuficientes, caracterizando o crime como um ataque à liberdade de imprensa. Ele reconheceu o descumprimento de obrigações internacionais relacionadas à proteção de direitos fundamentais e à investigação diligente dos fatos, além das graves consequências da impunidade prolongada para a família da vítima.
Dante Leguizamón, filho do jornalista, recebeu as desculpas com satisfação, mas destacou que a maior parte da sentença não foi cumprida. Ele criticou a oposição do oficialismo à aprovação de uma lei de proteção a jornalistas e defensores de direitos humanos, afirmando que o Estado atual "ataca periodistas, defensores, camponeses e indígenas" em vez de avançar nessa agenda.
O Sindicato de Periodistas do Paraguai (SPP) denunciou que o assassinato de Leguizamón segue sem justiça e que, após ele, outros 21 jornalistas foram mortos no país. O secretário-geral do SPP, Santiago Ortiz, enfatizou que a inação, negligência e cumplicidade de setores do poder consolidaram uma impunidade que enviou a mensagem perigosa de que matar um jornalista pode ficar sem castigo.
De acordo com informações do ABC Color que não puderam ser independentemente corroboradas, a família deliberadamente excluiu o presidente Santiago Peña e parlamentares do ato, alegando que a atual equipe governamental "está muito ligada" aos que ordenaram o assassinato. Dante Leguizamón teria afirmado: "Sabemos quem mandou assassinar Santiago e sabemos quem eram as pessoas próximas a eles".
O evento contou com a presença de autoridades como o procurador-geral Emiliano Rolón e parlamentares de diferentes partidos, mas a ausência de representantes do alto escalão do Executivo foi notada. A família também criticou a negativa de realizar um ato semelhante em Pedro Juan Caballero, região com o maior número de jornalistas assassinados no país.
