Junta de Assunção barra acordo de Bello com credores e evita herança de US$ 32 milhões em dívida

A Junta Municipal de Assunção rejeitou autorizar o prefeito Luis Bello a adiar juros vencidos de títulos públicos, denunciando taxas abusivas que elevariam os encargos a 27% e legariam um rombo milionário ao próximo governo.

A Junta Municipal de Assunção barrou nesta quarta-feira a tentativa do prefeito Luis Bello (ANR-cartista) de postergar o pagamento de juros vencidos dos bônus municipais. Em sessão ordinária, o plenário aprovou parecer da Comissão de Hacienda que devolve ao Executivo a proposta da corretora Valores Casa de Bolsa SA, representante dos credores, sem autorizar qualquer adiamento.

O vereador Álvaro Grau (PPQ) classificou a proposta como “descabida” e uma “loucura” financeira. A empresa pretendia cobrar 10% de juros moratórios sobre os 17% já pagos pela comuna, elevando a taxa total para 27%. “É um tapa na cara do cidadão assunceno que financia os cofres do município”, afirmou Grau.

O legislador sugeriu que, se a firma se recusar a receber o pagamento nos termos legais, o dinheiro seja depositado em cartório e a disputa resolvida na Justiça. O parecer da Comissão de Hacienda exige que a prefeitura cumpra estritamente o contrato original de emissão dos títulos.

A manobra de Bello, apresentada em entrevista coletiva como vitória de gestão, escondia condições que adiariam para 2027 os juros com vencimento em 2026. A prorrogação transferiria ao próximo prefeito uma dívida acumulada de US$ 32 milhões, chamada pela oposição de “cravo” econômico.

A maioria desses bônus foi emitida sob a gestão do ex-prefeito Óscar “Nenecho” Rodríguez (ANR-cartista). O interventor Carlos Pereira documentou que, por meio de “práticas ilegais terríveis”, Nenecho desviou G. 512 bilhões dos bônus G8, originalmente destinados a obras, para gastos correntes. Apesar disso, Rodríguez busca voltar ao cargo de vereador nas próximas eleições internas.

O vereador Humberto Blasco (PLRA) chamou a nota da corretora de “abusiva e desrespeitosa”. Fiorella Forestieri (PLRA), Ramón Ortíz (PLRA), Rosanna Rolón (ANR-independente) e Juan José Arnold (ANR-dissidente) também se opuseram. Dados da Bolsa de Valores de Assunção e da Caja de Valores del Paraguay mostram que, entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, a comuna acumulou onze calotes em juros, totalizando G. 130,369 bilhões.