Auditoria do IPS aponta divergências de G. 625 bilhões em estoques de medicamentos

Auditoria do IPS identificou divergências de até G. 625,159 bilhões entre os estoques registrados e os físicos de medicamentos, atribuídas sobretudo à integração incompleta entre os sistemas SIH e SAP MM, e recomendou avaliar possíveis impactos contábeis e na disponibilidade aos segurados.

Auditoria do IPS aponta divergências de G. 625 bilhões em estoques de medicamentos

Uma auditoria do Instituto de Previsión Social (IPS), entidade paraguaia que administra o seguro social e serviços de saúde, identificou divergências acumuladas de até G. 625,159 bilhões entre os medicamentos registrados nos sistemas e os estoques físicos de farmácias e depósitos.

O valor não indica, por si só, o desaparecimento físico de medicamentos. O IPS afirma que a cifra reúne movimentos registrados de forma incorreta, como remédios já entregues a pacientes, devoluções e transferências entre unidades que continuaram aparecendo como disponíveis. A instituição atribui o problema a falhas operacionais, administrativas, tecnológicas e contábeis acumuladas ao longo de vários anos.

A origem principal está na integração incompleta entre o Sistema Integrado Hospitalar (SIH), usado para registrar entregas e outros movimentos, e o módulo logístico SAP MM, responsável pelo controle de estoques e valores. Consumos não migrados corretamente, devoluções sem atualização na contabilidade central e transferências bloqueadas ou marcadas como erro produziram um “estoque virtual” que não correspondia à realidade.

As diferenças anuais foram de G. 13,875 bilhões em 2020, G. 133,511 bilhões em 2021, G. 163,532 bilhões em 2022, G. 271,394 bilhões em 2023 e G. 32,075 bilhões em 2024. A soma desses registros chegou a G. 614,390 bilhões; outros G. 10,768 bilhões foram associados a divergências em centros logísticos virtuais.

O maior descompasso ocorreu em 2023, período que também coincidiu com uma crise de abastecimento de medicamentos no IPS. A auditoria recomendou avaliar como a distorção afetou os balanços e pode ter superestimado o patrimônio da instituição entre 2020 e 2024. Os valores foram conciliados em demonstrações anteriores com respaldo de uma resolução e de uma auditoria externa, mas o relatório pediu uma avaliação atuarial urgente sobre os efeitos contábeis.

O diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação do IPS, Juan Carlos Frutos, disse que as diferenças têm respaldo em registros institucionais e foram submetidas a revisão e conciliação. Segundo ele, desde 2023 o órgão passou a individualizar as farmácias de sua rede, hoje distribuídas por 125 localidades, além de adotar inventários, comparações entre os sistemas e ajustes nos processos de integração.

Frutos afirmou ainda que, em 2026, as ocorrências identificadas foram corrigidas dentro do prazo operacional estabelecido. A auditoria, porém, registrou que ainda havia inconsistências em 2025, o que mantém dúvidas sobre a capacidade do sistema de mostrar, em tempo real, quais medicamentos estão efetivamente disponíveis aos segurados.

Entre os casos mais críticos está o Hospital Regional de Encarnación, onde foi apontada uma sobrevalorização de medicamentos de G. 36,195 bilhões sem documentação suficiente. O relatório também cita o Hospital Ingavi. Em Encarnación, a farmácia teria entregado medicamentos sem emitir comprovantes entre julho de 2023 e 10 de dezembro de 2025, dificultando a conciliação entre as saídas físicas e os registros contábeis.

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Fontes (1)

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