Dois funcionários contratados pelo Congresso Nacional durante a gestão do presidente Basilio Bachi Núñez chamam atenção pela rápida ascensão profissional e pelos salários elevados: um operador político ligado ao movimento Honor Colorado e uma pré-candidata a vereadora de Ñemby. Ambos ingressaram no Legislativo no ano passado e tiveram aumentos expressivos de remuneração em poucos meses.
Catherine Larissa Benítez Pascottini, licenciada em Administração de Empresas, aparece como funcionária contratada da Câmara de Senadores desde outubro de 2025, quando recebia G. 5 milhões por mês. Em abril de 2026, sua remuneração total nos primeiros quatro meses do ano somava G. 41.600.000, o que equivale a um salário mensal de G. 10.400.000 — um incremento de 108% em menos de um ano. Ela atua como assessora na Direção de Ação Social da Presidência do Senado e também figura como pré-candidata a vereadora de Ñemby pelo movimento Honor Colorado, com o respaldo de Bachi Núñez.
O outro caso é o de Adilson Sosa, de 32 anos, filho do vereador de Villa Hayes Arnaldo Sosa, que ocupa o cargo pelo terceiro mandato consecutivo e busca a reeleição pelo mesmo movimento político. Adilson começou a carreira como motorista na prefeitura de Villa Hayes e, em 2022, apresentou sua primeira declaração jurada à Controladoria-Geral da República com um patrimônio líquido declarado de G. 16.900.000. Depois, passou a trabalhar no Registro Eleitoral de Remansito, no Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE).
Em maio de 2025, Adilson Sosa assumiu como especialista VII na bancada de Honor Colorado no Senado, já com salário de G. 5 milhões. Em outubro, foi promovido a chefe de Digitalização, com remuneração que somava G. 9.750.000. Em fevereiro de 2026, atualizou sua categoria para Técnico III e, dias depois, apresentou nova declaração jurada com salário de G. 12.350.000. Ele integra a lista de 54 funcionários que ingressaram no Congresso na era Bachi e residem no departamento de Presidente Hayes, principal zona de influência política do senador cartista.
Os dois casos vieram à tona após a denúncia apresentada pelo jornalista e advogado Rubén Penayo, que acusa Bachi Núñez de lesão de confiança, tráfico de influências e cobro indevido de honorários. A denúncia ampliada aponta um suposto desperdício salarial de mais de USD 6 milhões no Congresso e no Senado durante a atual gestão.
Adilson Sosa já havia aparecido em uma publicação do diário ABC Color de fevereiro de 2016, em uma lista de 262 pessoas imputadas por planillerismo na Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP). Junto com o pai, ele trabalha pela reeleição do intendente de Villa Hayes, Luis López, que também conta com o apoio do presidente do Congresso.