A Câmara de Deputados do Paraguai rejeitou um projeto de lei que propunha eliminar, até o final do exercício fiscal de 2026, as vultosas bonificações pagas às mais altas autoridades do Estado. A proposta, que havia sido aprovada pelo Senado, previa o redirecionamento desses recursos para fortalecer o sistema público de saúde, especialmente para a compra de medicamentos.
A maioria oficialista, alinhada ao movimento Honor Colorado, bloqueou a iniciativa durante a sessão. O líder da bancada governista, o deputado Miguel Del Puerto, defendeu a posição argumentando que a medida poderia afetar outros setores da administração pública e que o Poder Executivo já havia implementado ações para racionalizar gastos. A deputada Rocío Abed classificou a proposta como uma manobra com forte componente político.
Do lado da oposição, as críticas foram contundentes. O deputado independente Raúl Benítez afirmou que o projeto surgiu como resposta direta ao aumento da bonificação do presidente do Congresso, o senador Basilio "Bachi" Núñez, que havia estipulado para si um benefício mensal superior a 21 milhões de guaranis. Benítez acusou o oficialismo de desativar a controvérsia sem alterar os privilégios de fato. A deputada Johanna Ortega reforçou que o texto não eliminava benefícios para professores e questionou a manutenção de remunerações extraordinárias para autoridades em um contexto de austeridade e deficiências nos serviços públicos.
O debate destacou os elevados rendimentos dos altos funcionários. Um ministro do Poder Executivo, por exemplo, recebe além do salário básico uma bonificação por responsabilidade que supera 6,5 milhões de guaranis, elevando sua renda mensal total para cerca de 33 milhões de guaranis. Esse valor contrasta com o recente aumento do salário mínimo, que foi de apenas 144.952 guaranis.
Com a rejeição pelos deputados, o projeto retorna agora ao Senado, que decidirá se insiste na proposta ou a arquiva definitivamente.
