Câmara dos Deputados do Paraguai acumula 9 pedidos de desaforamento sem previsão de votação

A Câmara dos Deputados do Paraguai acumula nove pedidos de desaforamento, mas o presidente Raúl Latorre afirma que não há previsão para votação devido à necessidade de um acordo unânime entre os deputados envolvidos.

A Câmara dos Deputados do Paraguai acumula nove pedidos de desaforamento, mas o presidente da Câmara, Raúl Latorre, reconhece que não há intenção de tratar esses pedidos individualmente. Segundo ele, a situação é uma "questão matemática": para que um desaforamento seja aprovado, seria necessário um acordo para liberar todos os deputados envolvidos, num esquema de "todos ou nenhum".

Entre os deputados com pedidos de desaforamento pendentes estão Mauricio Espínola (ANR, Añeteté), Esteban Samaniego (ANR, HC), os liberais Cleto Marcelino Giménez e Roya Torres, além do opositor Walter García (Yo Creo). O caso mais recente envolve Espínola, acusado de homicídio culposo após um acidente de trânsito.

Latorre explicou que o desaforamento requer uma maioria de dois terços, e nenhuma bancada isoladamente possui os 53 votos necessários. Além disso, há deputados de diferentes partidos com pedidos contra si, o que dificulta um acordo isolado. Ele evitou comentar os méritos dos casos, focando na dinâmica política da Câmara.

O deputado Espínola estaria considerando solicitar seu próprio desaforamento no caso do acidente, no qual prestou assistência à vítima e teve resultado negativo no teste do bafômetro. No entanto, há outro pedido de desaforamento contra ele, relacionado a uma denúncia de suposta filtragem de segredos em ato de serviço, que envolve o ex-presidente e líder do movimento Honor Colorado, Horacio Cartes.

Essa segunda causa contra Espínola tem um histórico de suspeitas de interferência política, com conversas vazadas entre o advogado de Cartes, Pedro Ovelar, e o então fiscal Aldo Cantero, que teria recebido ordens para conduzir diligências específicas. A acusação foi apresentada por novos fiscais com pouco tempo para análise, o que reforça as suspeitas de manipulação política.

Os cartistas, grupo ligado a Cartes, têm interesse em retirar os fueros de Espínola, um dos deputados dissidentes mais críticos, mas isso implicaria também permitir que Esteban Samaniego enfrente quatro processos judiciais. Samaniego é acusado principalmente de dano patrimonial durante sua gestão como prefeito de Quyquyhó, envolvendo sua família, inclusive sua esposa, a ex-prefeita Patricia Corvalán.

Além disso, Samaniego responde a três processos por violência física, incluindo um caso de 2019 em que uma mulher o acusou de agressão verbal e ameaça enquanto trabalhava em controle de acesso a um jogo de futebol. Recentemente, ele esteve envolvido em episódios violentos durante as internas do Partido Colorado em 7 de junho.

Os outros pedidos de desaforamento pendentes incluem os deputados liberais Cleto Marcelino Giménez e Roya Torres, acusados de cobrança indevida de honorários, supostamente como "funcionários fantasmas". Enquanto seus filhos já receberam saídas condicionais, os parlamentares resistem a perder os fueros. No caso de Roya Torres, ela poderá ser obrigada a renunciar aos fueros a partir de 4 de outubro, caso seja eleita prefeita de Presidente Franco.

O deputado Walter García, do partido Yo Creo, enfrenta um pedido de desaforamento por suposta lesão de confiança como cúmplice, em um processo que também envolve o ex-prefeito de Ciudad del Este, Miguel Prieto, pré-candidato à presidência em 2028. A acusação tem um contexto político, pois Prieto foi destituído da prefeitura após uma intervenção da Contraloria, considerada controversa.

Fontes (1)

Atualizado: 14 de jun. de 2026, 07:06