Cavialpa defende dobrar investimento em infraestrutura no Paraguai com capital privado e vontade política

A Cavialpa defende elevar de cerca de US$ 1 bilhão para US$ 2 bilhões a US$ 2,2 bilhões por ano o investimento em infraestrutura no Paraguai, com vontade política e capital privado, e recomenda priorizar obras no orçamento público; cada guarani estatal pode mobilizar de quatro a cinco privados, preservando uma rede viária avaliada em mais de US$ 12 bilhões e um setor que sustenta quase 300 mil trabalhadores e famílias, com o Uruguai como referência, enquanto o Corredor Bioceânico conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e a participação no fórum da entidade, em 20 de outubro, será gratuita mediante inscrição.

Cavialpa defende dobrar investimento em infraestrutura no Paraguai com capital privado e vontade política

O Paraguai precisaria elevar o investimento anual em infraestrutura dos atuais cerca de US$ 1 bilhão para uma faixa de US$ 2 bilhões a US$ 2,2 bilhões, defende Paul Sarubbi, presidente da Câmara Viária Paraguaia (Cavialpa). A entidade associa esse patamar à possibilidade de sustentar crescimento econômico de 7% ao ano e afirma que a mudança depende de vontade política e de maior participação do capital privado.

O setor estima uma lacuna de US$ 30 bilhões em infraestrutura. No ritmo atual, seriam necessários cerca de 30 anos para cobrir o déficit existente, sem contabilizar novas demandas nem a manutenção das estradas. Citando um estudo da consultoria McKinsey, Sarubbi afirmou que investimentos equivalentes a pelo menos 4,5% do Produto Interno Bruto seriam necessários para dobrar a economia em uma década.

As necessidades incluem hidrovias, água e saneamento, escolas, hospitais e transmissão de energia, além de rodovias. Embora o país disponha de eletricidade hidrelétrica, Sarubbi alertou para possíveis gargalos em quatro ou cinco anos se não houver investimentos em transmissão, distribuição e projetos de geração de longo prazo. O setor da construção sustenta diretamente quase 300 mil trabalhadores e suas famílias, segundo a Cavialpa.

Para ampliar as obras sem concentrar os desembolsos no orçamento estatal de curto prazo, Sarubbi apontou parcerias público-privadas, concessões e contratos de Reabilitação e Manutenção (CREMA), além das leis paraguaias que permitem esses modelos e da Lei 5.074, conhecida como “chave na mão”. Nos contratos CREMA, a empresa financia e executa a recuperação da estrada e responde pela manutenção por vários anos; o Estado amortiza o investimento em prazos de 10, 12 ou 15 anos.

A rede rodoviária do país é avaliada em mais de US$ 12 bilhões. Na avaliação da entidade, os contratos de longo prazo podem permitir a recuperação de mais vias e preservar esse patrimônio. Sarubbi citou o Uruguai como referência regional por ter atraído investimentos de grande porte com estabilidade jurídica e contratos de participação público-privada. Também defendeu melhorar a qualidade do gasto e priorizar investimentos no Orçamento Geral da Nação, em vez de despesas correntes: segundo ele, cada guarani público aplicado em infraestrutura pode alavancar de quatro a cinco guaranis de investimento privado.

O Corredor Bioceânico, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico através de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, é uma oportunidade para a logística e a industrialização do Chaco. Para evitar que a região seja apenas uma rota de passagem, Sarubbi defendeu ampliar energia, água e serviços em Carmelo Peralta, Loma Plata, Filadélfia, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, criando condições para processar matérias-primas no próprio país.

Essas propostas serão debatidas no 6.º Fórum e Exposição CAVIALPA 2026, marcado para 20 de outubro, das 8h às 19h, no Grande Teatro do Banco Central do Paraguai, em Assunção. O encontro, organizado no contexto do 32.º aniversário da Cavialpa, prevê a participação de autoridades, legisladores, representantes dos setores industrial e agropecuário e técnicos de organismos multilaterais. A conferência principal será do ex-presidente uruguaio Luis Lacalle Pou. A participação será gratuita, mediante inscrição nas plataformas digitais da entidade.

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Fontes (1)

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