Defesa de Miguel Prieto promete provar entrega de 25 mil kits no caso Tía Chela

A defesa de Miguel Prieto afirmou no julgamento do caso Tía Chela que apresentará fornecedores, registros e outros documentos para provar a entrega de 25 mil kits de alimentos durante a pandemia, enquanto contesta o suposto prejuízo de G. 2,13 bilhões e as acusações de corrupção.

Defesa de Miguel Prieto promete provar entrega de 25 mil kits no caso Tía Chela

A defesa de Miguel Prieto afirmou nesta terça-feira (15) que provará, durante o julgamento do caso Tía Chela, a entrega dos 25 mil kits de alimentos adquiridos pela Prefeitura de Ciudad del Este durante a pandemia de covid-19. O ex-prefeito e outras dez pessoas respondem por suposta lesão de confiança e associação criminosa, em um processo que envolve alegado prejuízo superior a G. 2,13 bilhões.

Nos alegações iniciais, os advogados Derlis Martínez e Guillermo Ferreiro sustentaram que a administração municipal comprou, pagou, recebeu e distribuiu os kits. A defesa pretende apresentar fornecedores, fotografias, vídeos, planilhas de beneficiários e outros documentos para demonstrar a execução do contrato.

Martínez disse que os fornecedores ligados à Tía Chela confirmarão em juízo as vendas e a entrega dos produtos no poliesportivo municipal, onde os kits teriam sido montados. Segundo ele, centenas de pessoas participaram da operação, incluindo religiosos, militares e bombeiros, mas nenhum fornecedor teria sido ouvido pelo Ministério Público durante a investigação.

O advogado também contestou a acusação de que teria existido uma cadeia fictícia de compras. Para a defesa, a investigação selecionou documentos que sustentariam a hipótese de crime e ignorou elementos favoráveis aos acusados. Martínez afirmou que relatórios da Direção Nacional de Contratações Públicas, da Direção Nacional de Ingressos Tributários e da Controladoria-Geral da República não seriam consistentes nem conclusivos.

Ferreiro questionou a forma como o Ministério Público calculou o suposto dano ao erário. Ele argumentou que a acusação desconsiderou notas fiscais de fornecedores de empresas distribuidoras, além de custos, impostos e margem de lucro. Também afirmou que algumas notas rejeitadas se refeririam a ovos e a outros produtos que não integravam o contrato municipal.

A defesa negou que Prieto ou os demais acusados tenham obtido benefício financeiro e disse que muitas condutas descritas na acusação correspondiam a atribuições administrativas. Os advogados classificaram a tese de uma estrutura criminosa na prefeitura como uma construção sem prova e pediram ao tribunal independência na análise do caso.

A acusação é sustentada pelos fiscais Verónica Valdez, Silvio Corbeta e Yeimy Adle. Como os argumentos apresentados nesta etapa são versões das defesas, a efetiva entrega dos kits, a validade dos contratos e o cálculo do suposto prejuízo ainda serão examinados com as demais provas do processo.

O julgamento é conduzido por um tribunal especializado em crimes econômicos, presidido pela juíza Ana Rodríguez Brozón e integrado por Yolanda Morel e Karina Cáceres. A audiência continuará na segunda-feira (21), às 8h, com os alegações iniciais das outras defesas. Entre os réus estão também Nelson Segovia, Félix Cáceres, Francisco Raimundo Arrúa Álvarez, Sebastián Martínez Insfrán, Maggi Fariña Almada, Julián Benítez Gamarra, Higinio Ramón Acuña, Cirle Alcaraz Ramírez, Fermín Ávalos Britos e Emilia Vanessa Florentín Páez.

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