Defesa do Paraguai contrata lanches por até G. 1,8 bilhão para militares no Rally del Paraguay

O Ministério da Defesa do Paraguai contratou por até G. 1,8 bilhão kits de lanche para mais de 2 mil militares mobilizados na segurança do Rally del Paraguay, em Itapúa, reacendendo o debate sobre gastos públicos sob a política de austeridade estatal.

Defesa do Paraguai contrata lanches por até G. 1,8 bilhão para militares no Rally del Paraguay

O Ministério da Defesa Nacional do Paraguai contratou por até G. 1,8 bilhão kits de lanche para os militares mobilizados durante o Rally del Paraguay, etapa do Campeonato Mundial de Rally realizada em Itapúa. O pacote inclui alfajores, flans, biscoitos, leite achocolatado, sucos, iogurtes, bebidas isotônicas, carne bovina enlatada e picadillo.

A contratação, identificada pelo chamado público ID 490185 e conduzida pelo Comando Logístico das Forças Armadas, foi dividida em seis lotes. Mais de 2 mil militares participaram do esquema de segurança do evento, que ocorreu em uma região de forte presença de público e deslocamentos entre diferentes trechos do circuito.

O maior contrato, de até G. 1,332 bilhão, ficou com a El Castillo SA. A empresa apresentou preços de G. 6.250 por iogurte, G. 3.550 por flan e G. 2.600 por alfajor. A Agropecuaria Itabo SAC recebeu contrato de até G. 358 milhões para atender as zonas sul, norte e leste do circuito. Já a Carni Shop SRL ficou com um contrato de até G. 110 milhões para a região ocidental.

Também participaram da disputa a UNPAR SA e a Cámica SRL. O processo previa o fornecimento de alimentos para unidades de cavalaria, infantaria e Exército, além do Colégio de Suboficiais do Exército.

A justificativa publicada no sistema da Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP), órgão que divulga os processos de compras do Estado, afirma que a alimentação era necessária para garantir as condições de trabalho, o rendimento e a saúde dos militares. O documento classifica o abastecimento como “insumo essencial para o desenvolvimento normal das atividades operacionais” e alerta que uma eventual interrupção poderia afetar a continuidade do serviço.

O valor chama atenção porque o governo de Santiago Peña adotou a “austeridade estatal” como uma de suas bandeiras. O então ministro da Economia, Carlos Fernández Valdovinos, chegou a descrever a situação fiscal como uma “economia de guerra”. A despesa com os lanches reacende o debate sobre quais gastos públicos são considerados prioritários quando o Estado mobiliza recursos para proteger um evento esportivo privado.

O ministro da Defesa, general da reserva Óscar Luis González Cañete, não respondeu aos contatos feitos pela reportagem até o fechamento do texto. O processo indica um teto de gasto, e não necessariamente que todo o valor tenha sido executado; a despesa final dependerá das entregas e dos pagamentos registrados na administração pública.

Compartilhar WhatsApp Facebook LinkedIn

Fontes (1)

Atualizado: 2 de set. de 2026, 01:00