Saúde destina 44 ambulâncias ao Rally do Paraguai e provoca críticas no Senado

O Ministério da Saúde destinou 44 ambulâncias para o Rally do Paraguai, medida que gerou críticas sobre a concentração temporária de recursos e levantou questões sobre a capacidade de resposta emergencial, a alocação de recursos públicos e o planejamento de eventos regionais.

Saúde destina 44 ambulâncias ao Rally do Paraguai e provoca críticas no Senado

O Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social destinou 44 ambulâncias do Serviço de Emergências Médicas Extra-hospitalares (SEME) para a cobertura do Rally do Paraguai, marcado para 27 a 30 de agosto em Itapúa. A medida mobilizou 18 veículos do departamento anfitrião e outros 26 de regiões como Alto Paraná, Caaguazú, Misiones e San Pedro.

O vice-ministro de Atenção Integral à Saúde, Saúl Recalde, afirmou que o país conta com cerca de 500 ambulâncias e que a redistribuição foi planejada de forma “equitativa”. Ele disse que bases de departamentos vizinhos, como San Ignacio e San Juan, permaneceriam disponíveis para atender emergências e que não haveria risco de interrupção da contingência.

A decisão provocou reações entre profissionais de saúde de Itapúa. Áudios e vídeos compartilhados publicamente questionaram a retirada dos veículos, enquanto, segundo um relato divulgado pela imprensa local, uma médica de Caapucú relatou dificuldade para transferir um paciente com dissecção de aorta ao Hospital de Itauguá. Recalde classificou o episódio como um “mal-entendido” e afirmou que o transporte foi realizado.

Em Caaguazú, três das 18 ambulâncias do departamento foram enviadas ao evento. O diretor da 5ª Região Sanitária, Cristian Vera, disse que as 15 unidades restantes continuam disponíveis para os 22 distritos e podem ser deslocadas pelo Centro Regulador, sistema que coordena os atendimentos e encaminhamentos a hospitais de maior complexidade.

A estrutura preparada para a competição inclui 49 postos de cobertura médica. Na edição anterior, 174 pessoas receberam atendimento, principalmente por contusões e escoriações, descompensações digestivas, metabólicas e cardiovasculares, hipertensão arterial e acidentes de trânsito.

O tema chegou ao Senado em 26 de agosto. Líder Amarilla, Ever Villalba e Rafael Filizzola criticaram a concentração temporária de recursos para um evento de quatro dias, argumentando que o sistema público precisa atender pacientes durante todo o ano. As declarações expressaram uma posição política e não confirmam, por si só, que hospitais tenham ficado sem cobertura.

Senadores do Partido Colorado (ANR) defenderam a estratégia. Colym Soroka afirmou que a competição movimenta hotéis e restaurantes de Encarnación, enquanto Derlis Maidana mencionou uma estimativa de US$ 130 milhões em ganhos na primeira edição e disse que o benefício econômico seria superior ao gasto público citado no debate. O Ministério da Saúde sustenta que a coordenação entre as bases remanescentes preservará a resposta às urgências fora de Itapúa. O debate também envolve as implicações da redistribuição para a capacidade de emergência do país, a alocação de recursos públicos e o planejamento de eventos regionais.

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Fontes (5)

Atualizado: 27 de ago. de 2026, 00:19