Déficit fiscal paraguaio fica em 0,8% do PIB no primeiro quadrimestre, dentro da meta de 1,5%

O Ministério da Economia e Finanças (MEF) do Paraguai divulgou que o déficit fiscal acumulado de janeiro a abril de 2026 foi de 0,8% do PIB, dentro do limite previsto de 1,5%. O resultado reflete receitas moderadas, impacto cambial e gastos em setores estratégicos.

O Ministério da Economia e Finanças (MEF) do Paraguai apresentou nesta terça-feira (19) o relatório de situação financeira (Situfin), que confirma um déficit fiscal de 3,1 trilhões de guaranis (cerca de US$ 485,3 milhões) entre janeiro e abril de 2026. O montante equivale a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), dentro do limite fiscal de 1,5% estabelecido para o ano.

Em termos anualizados (últimos 12 meses), o déficit chegou a 8,6 trilhões de guaranis (aproximadamente US$ 1,2 bilhão), ou 2,2% do PIB, segundo a equipe técnica do MEF, liderada pela gerente de Economia, Nathalia Rodríguez, e pelo diretor geral de Política Macro Fiscal, Marcelo Rodríguez.

O resultado do primeiro quadrimestre reflete, de um lado, a “dinâmica moderada” das receitas fiscais, afetada principalmente por menores ingressos não tributários e pelo impacto da taxa de câmbio sobre a arrecadação externa. O Orçamento Geral da Nação de 2026 previa um dólar acima de 7.800 guaranis, mas a moeda norte-americana tem sido negociada em torno de 6.100 guaranis. De outro lado, o MEF aponta o comportamento dos gastos públicos, associado a compromissos operacionais em setores estratégicos e à regularização de pagamentos pendentes em áreas prioritárias.

Em relação à atividade econômica, o relatório destaca crescimento em quase todos os setores. O setor primário registrou variação interanual de 10,4% até março. O Indicador Mensal de Atividade Econômica do Paraguai (IMAEP) total teve variação de 8,2%, enquanto o IMAEP sem agricultura e binacionais ficou em 8,3%. A manufatura expandiu 4,5%.

A inflação interanual em abril foi de 2,3%, dentro da meta do Banco Central do Paraguai (BCP), acima dos 1,9% de março e abaixo dos 4% de abril de 2025. O aumento é atribuído à alta dos combustíveis. O Comitê de Política Monetária manteve a taxa básica de juros em 5,5% ao ano.

A taxa de câmbio nominal continuou a se apreciar. Em abril, o câmbio médio foi de 6.348 guaranis por dólar, com apreciação interanual de 20,7%. As importações cresceram 13% em valor e 7% em volume no acumulado até abril, mas a base de comparação com 2025 mostra deterioração de 7,2%.

As receitas de impostos internos cresceram 21% em abril e 14,2% no acumulado. Já as receitas externas (tarifas aduaneiras) caíram 15,1% em abril e 8,4% no acumulado. As receitas totais tiveram alta acumulada de 1,9%, puxadas pelos tributos internos, que subiram 5,3%. O Imposto de Renda Empresarial (IRE) contribuiu com 6,3% do crescimento, seguido pelo IVA (5%) e pelo imposto sobre dividendos (2,5%).

Em contraste, os impostos externos recuaram 8,4%, com destaque para a queda de 4,6% no IVA sobre comércio exterior, além de menores ingressos em outros conceitos (-1,7%) e tarifas (-1,5%).