As distribuidoras privadas de combustíveis preparam uma nova alta no Paraguai, após a disparada do custo internacional do petróleo. O reajuste pode ocorrer neste fim de semana, enquanto a Petróleos Paraguayos (Petropar) mantém os preços atuais por enquanto, apoiada nos estoques comprados antes da escalada.
Adolfo Martin, presidente da Câmara de Distribuidoras Paraguaias de Combustíveis (Cadipac), afirmou que sua empresa aplicará um aumento iminente e que o setor vem acumulando perdas com a diferença entre o custo de reposição e o preço nas bombas. Víctor Yambay, presidente da Associação de Proprietários e Operários de Postos de Serviço e Afins (Apesa), também confirmou a pressão sobre as margens.
Miguel Velázquez, representante da Apesa, calculou que o diesel comum é vendido no varejo privado por cerca de G. 8.290 a G. 8.490 por litro, enquanto a reposição no atacado já alcança aproximadamente G. 9.200. Sem incluir as margens do importador, distribuidor e posto, essa diferença indicaria um ajuste inicial de até G. 800 por litro. Outro representante do setor, Miguel Bazán, estimou uma alta de G. 600 a G. 800 para o diesel e de G. 450 a G. 550 para as naftas.
Os valores não representam um reajuste oficialmente anunciado por todas as empresas. Cada distribuidora decide conforme seus estoques e custos, e algumas já elevaram os preços na semana anterior. A afirmação de que o aumento ocorrerá de forma uniforme ainda não foi confirmada.
Na Petropar, o presidente William Wilka disse que o custo para levar o diesel ao Paraguai está em torno de G. 8.510 por litro. O cálculo considera uma cotação internacional próxima de US$ 1.230 por metro cúbico em setembro, contra US$ 610 em fevereiro. A estatal sustenta os preços atuais graças ao chamado efeito inventário, isto é, à existência de combustível comprado anteriormente a valores menores.
As tarifas vigentes da Petropar são G. 8.290 para o Diésel Porã, G. 10.300 para o Diésel Mbarete, G. 6.990 para a Kape 88, G. 7.490 para a Oikoite 93 e G. 8.840 para a Aratiri 97. Wilka afirmou que a situação será reavaliada a cada quinzena e não descartou um aumento quando os estoques antigos forem substituídos.
A pressão acompanha a instabilidade internacional. Em 11 de setembro, o Brent fechou a US$ 104,61 por barril, após ter alcançado US$ 109,97 durante a sessão, enquanto o WTI terminou a US$ 100,50. A redução diária não eliminou o risco de novas altas, diante dos ataques no Oriente Médio e da queda no tráfego pelo estreito de Ormuz.
O impacto pode alcançar rapidamente transporte, fretes, agricultura e alimentos. No transporte público metropolitano, o combustível representa cerca de 40% da estrutura tarifária, segundo o Centro de Empresários de Transporte de Passageiros da Área Metropolitana (Cetrapam). O setor afirma pagar aproximadamente G. 8.000 por litro, acima dos cerca de G. 7.000 considerados na estrutura tarifária, e alerta que entre 15% e 20% da frota chegou a deixar de operar em determinados horários durante a alta anterior.
