A Petróleos Paraguayos (Petropar) abriu uma licitação internacional de até US$ 24.308.840 para comprar combustíveis de aviação destinados aos aeroportos internacionais Silvio Pettirossi, em Luque, e de Encarnación. O processo, Subasta a la Baja Electrónica Internacional N.º 14/26, ID N.º 484.812, prevê o recebimento de propostas e a etapa competitiva para 2 de setembro de 2026.
O valor será pago com recursos públicos da Petropar e corresponde exclusivamente à compra do combustível, não à infraestrutura física do projeto. O edital prevê até 20 mil metros cúbicos em quatro itens: dois de querosene Jet A-1, usado principalmente por aeronaves com motores de turbina, e dois de gasolina de aviação 100 LL (AvGas), destinada sobretudo a aviões com motores a pistão.
Cada item prevê entre 1.500 e 5.000 metros cúbicos. O preço de referência é de US$ 1.208,613 por metro cúbico para o Jet A-1 e de US$ 1.222,271 para o AvGas. A entrega será feita na modalidade DAP, pela qual o fornecedor assume custos e riscos do transporte até o destino, com descarga de caminhões-tanque nos reservatórios indicados pela estatal.
O presidente da Petropar, William Wilka, afirmou que os 20 mil metros cúbicos representam uma projeção de abastecimento para determinado período, e não um volume a ser armazenado simultaneamente. O recebimento, o armazenamento, a distribuição e a comercialização ocorreriam de forma progressiva, conforme a demanda e o cronograma de implantação.
A empresa privada escolhida para participar do projeto é a Royal Energy S.A., apresentada pela Petropar como uma companhia paraguaia. A estatal diz que ela atua no segmento desde 2017, quando passou a distribuir produtos de aviação para uma empresa multinacional que continua operando no mercado paraguaio. A Royal Energy deverá fornecer investimento, infraestrutura, experiência técnica e capacidade operacional.
O plano prevê cinco aeroplantas de combustíveis de aviação no país, para ampliar a oferta de Jet A-1 e AvGas em locais com cobertura limitada ou inexistente. Petropar, por sua vez, ficará responsável pela compra e pela comercialização dos produtos.
Wilka afirmou que o operador foi “adjudicado mediante um processo” e identificou a Royal Energy como parceira. A estatal, porém, não esclareceu se houve uma chamada para selecionar o operador nem se esse procedimento foi publicado no portal da Direção Nacional de Contrataciones Públicas (DNCP), órgão paraguaio responsável pela divulgação de processos de contratação pública. Também não informou a data do acordo, sua base legal, o prazo da aliança ou a divisão de riscos e receitas.
Continuam sem divulgação o valor que a Royal Energy deverá investir, a localização e a capacidade das cinco aeroplantas, os equipamentos previstos e o cronograma de operação. O edital trata da compra do combustível a granel, mas não detalha os sistemas aeroportuários de armazenamento, controle de qualidade, rastreabilidade, abastecimento em pista ou transferência para as aeronaves.
O parecer técnico DOC N.º 096/2026, assinado por Héctor Salinas, diretor da Direção Operativa de Contratações (UOC) da Petropar, registra que a estatal não possui contratos anteriores semelhantes nem informações públicas sobre transporte desse tipo de produto. Por isso, os preços de referência foram calculados com base em parâmetros internacionais. A medição para faturamento será feita na balança da unidade da Petropar em Villa Elisa, para Luque, ou em uma balança próxima acordada para Encarnación.
