O endividamento das famílias no Paraguai acelerou no primeiro trimestre de 2026, com um crescimento interanual de 24,7% no crédito direcionado aos lares, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Paraguai (BCP). Esse aumento é impulsionado principalmente pelos empréstimos de consumo, que representam 78,6% do total, e em menor escala pelos financiamentos habitacionais.
O relatório destaca que esse cenário ocorre em meio a um bom desempenho econômico e do mercado de trabalho, além de uma redução nas taxas de juros para crédito de consumo e um processo de maior inclusão financeira. Dados da Superintendência de Bancos indicam que o saldo dos créditos de consumo atingiu 34,68 trilhões de guaranis no primeiro trimestre, um aumento de 40% em relação ao mesmo período de 2025, representando 19% da carteira total dos bancos.
Quanto ao crédito habitacional, o saldo chegou a 10,13 trilhões de guaranis, equivalente a 5,5% da carteira global bancária. Apesar de menor em participação, esse segmento é o segundo maior responsável pelo crescimento do crédito às famílias, sendo acompanhado com atenção devido ao seu prazo longo e sensibilidade à renda e emprego.
Em relação à qualidade da carteira, houve um leve aumento na inadimplência das famílias, com a taxa de mora subindo de 4,6% para 4,8% em março. O crédito de consumo apresentou uma taxa de mora de 5,2%, acima da média geral, enquanto o crédito habitacional melhorou, com a inadimplência caindo de 3,4% para 3,2%. Já o financiamento via cartão de crédito teve uma mora de 4,8%, ligeiramente superior ao semestre anterior.
O crescimento do crédito não se restringe aos lares. O crédito às empresas avançou 16,4% em termos anuais até março de 2026, apoiado por setores como serviços, agricultura, comércio atacadista e indústria, que acompanham a evolução econômica. A carteira empresarial também melhorou em qualidade, com a taxa de inadimplência caindo para 1% no período, refletindo uma redução da mora na maioria das atividades, especialmente construção, indústria e serviços.
O Banco Central relaciona o desempenho do crédito ao ciclo econômico recente, destacando que o PIB cresceu 6,6% em 2025 e projeta expansão de 4,2% para 2026, com ajustes setoriais positivos para agricultura e indústria, e uma leve revisão para baixo no setor terciário.