Em um país onde a cobertura da seguridade social atinge apenas 24,5% da população, segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), construir uma aposentadoria sem depender exclusivamente do Instituto de Previdência Social (IPS) tornou-se uma necessidade para muitos paraguaios. O analista financeiro Augusto Fabrini alerta que a dependência exclusiva da previdência estatal, que tem um modelo focado na subsistência e não na acumulação de riqueza, limita a capacidade financeira do cidadão durante a aposentadoria e extingue-se com o falecimento do titular.
Fabrini propõe um método de quatro pilares para estruturar o orçamento, mesmo para quem ganha o salário mínimo legal de G. 3.044.000, vigente desde julho deste ano após reajuste determinado pelo governo de Santiago Peña. A estratégia consiste em destinar 20% da renda (G. 608.800) para investir em ativos geradores de renda passiva, 10% (G. 304.400) para um fundo de emergência, 60% (G. 1.826.400) para custos de vida essenciais e 10% (G. 304.400) para gastos com lazer.
De acordo com uma simulação apresentada pelo especialista, investir consistentemente 20% do salário mínimo com uma rentabilidade anual suposta de 9% pode gerar resultados significativos a longo prazo. Em 20 anos, o patrimônio acumulado permitiria uma renda passiva mensal de G. 3.054.075, equivalente a um salário mínimo integral. Em 30 anos, a renda mensal passiva poderia chegar a G. 8.359.905. Fabrini enfatiza o conceito de liberdade financeira, popularizado por Robert Kiyosaki no livro "Pai Rico, Pai Pobre", onde os rendimentos deixam de depender exclusivamente do trabalho.
Para iniciar no mercado local, o analista recomenda instrumentos como os Certificados de Depósito de Poupança (conhecidos como CDAs no Paraguai) e títulos de dívida negociados na Bolsa de Valores de Assunção (BVA), com valores de entrada acessíveis. À medida que o capital cresce, ele sugere a diversificação internacional por meio de ações ou fundos indexados em moedas fortes, como o dólar, para proteger o patrimônio de flutuações econômicas locais. A principal vantagem, segundo ele, é que os ativos financeiros de propriedade própria podem ser transmitidos por herança, assegurando que a riqueza permaneça na família.
