Especialistas defendem construção sustentável para economizar água e energia no Paraguai

Especialistas apresentaram no XV Congresso Regional de Tecnologia em Arquitetura no Paraguai que a construção sustentável, apesar de um investimento inicial cerca de 4% maior, gera economia de 30% a 60% no consumo de água e de 40% a 70% em energia, com o retorno financeiro ocorrendo em dois a cinco anos.

Especialistas defendem construção sustentável para economizar água e energia no Paraguai

Apesar de a abundância de recursos hídricos no Paraguai, a água não é um recurso ilimitado, alertou Luis Silvio Ríos, arquiteto e docente da Faculdade de Arquitetura, Design e Artes da Universidade Nacional de Assunção (FADA-UNA). Durante o XV Congresso Regional de Tecnologia em Arquitetura (CRETA), realizado na FADA-UNA, profissionais defenderam que a arquitetura sustentável é uma resposta crucial para a preservação, promovendo o cuidado com a água e a redução do consumo de energia.

Ríos explicou que a chamada "cultura da água" vai além da adoção de tecnologias de economia, envolvendo também a forma como a sociedade valoriza o recurso. Ele destacou que, diferentemente da região do Chaco, a maior disponibilidade de água na Região Oriental pode criar uma falsa percepção de inesgotabilidade. "A água é um recurso precioso em todo o planeta. Há muitos países que não têm água senão para o essencial", afirmou.

Entre as soluções apresentadas estão sistemas de arquitetura que permitem reter temporariamente a água da chuva durante tempestades, favorecendo sua posterior evacuação controlada ou a infiltração no solo, o que contribui para a recarga dos aquíferos. Para o consumo diário, tecnologias relativamente simples, como torneiras que misturam ar ao fluxo de água, podem gerar economias significativas. No entanto, essas soluções ainda têm pouca penetração no mercado local, o que Ríos atribui à falta de uma demanda consolidada por eficiência hídrica.

Do ponto de vista econômico, a sustentabilidade se traduz em custos operacionais drasticamente reduzidos ao longo da vida útil de um edifício. A engenheira civil Gabriela Mesquita, mestre em Engenharia Ambiental, detalhou que uma construção sustentável requer um investimento inicial cerca de 4% maior, mas esse custo adicional pode ser recuperado em um período de dois a cinco anos. "Há uma economia de entre 40% e 60% em energia, podendo chegar a 70% em alguns casos. No consumo de água, a redução fica entre 30% e 60%", explicou.

Mesquita informou que o Paraguai já conta com mais de 800.000 metros quadrados de área construída ou em construção seguindo critérios de sustentabilidade. Entretanto, ela identificou obstáculos para uma expansão maior: a falta de conhecimento por parte dos usuários finais sobre as vantagens em qualidade ambiental, conforto térmico e redução de custos, e uma insuficiente divulgação desses benefícios entre os desenvolvedores imobiliários.

O evento destacou que, embora o investimento inicial seja um desafio, os retornos financeiros e ambientais a médio e longo prazo posicionam a construção sustentável como uma alternativa viável e necessária para o desenvolvimento urbano no Paraguai, alinhando crescimento com a preservação de recursos naturais críticos.

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Fontes (1)

Atualizado: 24 de ago. de 2026, 01:00