Estudantes do Centro Regional de Educação (CRECE), em Ciudad del Este, criaram ferramentas de inteligência artificial para apoiar o ensino de Matemática e Física em guarani jopara, variedade que combina guarani e espanhol. Os projetos vencedores de uma competição escolar poderão avançar para testes em sala de aula.
O TEKO Labs venceu na categoria de Matemática com um bot que explica conteúdos, oferece exemplos e acompanha o aluno durante a aprendizagem. Em Física, o Grupo Kyrey-Devs ficou em primeiro lugar com uma ferramenta de exercícios ligados a situações cotidianas.
As equipes conquistaram os dois primeiros lugares do Hackathon Kyhyje’y IA, realizado em Ciudad del Este no âmbito do Projeto GuaranIA. A competição reuniu 14 equipes e 64 estudantes de instituições de Alto Paraná e Caaguazú, que trabalharam durante três dias no desenvolvimento de soluções educacionais.
O desafio buscou ir além da tradução de materiais: os participantes deveriam criar recursos pedagógicos com IA generativa, como tutores conversacionais e sistemas capazes de orientar ou corrigir etapas de exercícios. Docentes de Matemática e Física ajudaram a validar os conteúdos, enquanto os estudantes dividiram tarefas de programação, design, experiência de usuário, pedagogia e linguística.
A iniciativa responde a dificuldades identificadas em um diagnóstico de 2025 com 1.178 estudantes do ensino médio. Matemática e Física estavam entre as disciplinas consideradas mais difíceis, e os alunos mencionaram o medo de errar e a confusão entre idiomas ao explicar conteúdos.
Os projetos foram avaliados em uma escala de 100 pontos, com critérios que incluíram precisão, função pedagógica, uso de IA, integração do guarani jopara, funcionalidade e experiência do usuário. As equipes vencedoras poderão continuar o desenvolvimento com o grupo de pesquisa do Projeto GuaranIA, que pretende transformar as propostas em ferramentas-piloto para escolas.
O próximo passo previsto é testar os recursos em sala e avaliar seu efeito na aprendizagem. Em laboratórios realizados em 2026, 97,1% dos estudantes disseram que aceitariam experimentar ferramentas desse tipo nas aulas.
O Projeto GuaranIA é promovido pelo Centro de Engenharia para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (CIDIT) e busca incorporar o guarani ao ambiente digital. Antes do hackathon, estudantes já haviam produzido dados sintéticos em guarani para treinar ou avaliar modelos de inteligência artificial; a competição procurou transformar esse trabalho em aplicações educacionais concretas.
