Ex-ministros alertam sobre limite tributário e déficit fiscal no Paraguai

Ex-ministros da Fazenda alertam que a capacidade tributária do Paraguai atingiu seu limite e que o crescente déficit fiscal pode ser um problema estrutural, defendendo maior eficiência no gasto público.

Ex-ministros alertam sobre limite tributário e déficit fiscal no Paraguai

O ex-ministro da Fazenda Benigno López afirmou que a capacidade tributária do Paraguai já atingiu seu limite, alertando que a pressão sobre os contribuintes não pode aumentar para financiar as crescentes demandas do Estado. Durante uma participação em um programa de streaming, o ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) defendeu um debate profundo sobre o sistema tributário, enfatizando que qualquer reforma deve ser bem planejada e acompanhada de maior eficiência na gestão pública. "Nada é imediato", disse López, acrescentando que os governos dos últimos dez anos enfrentam o problema do aumento de gastos.

López participou de uma reunião convocada pelo ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, com outros ex-titulares da pasta, como Germán Rojas, Manuel Ferreira e César Barreto. O ex-ministro considerou o encontro uma sinal positiva de abertura para troca de experiências, tendo ficado surpreso com a presença do presidente da República, Santiago Peña.

Paralelamente, outro ex-ministro da Fazenda, Óscar Llamosas, avaliou como positiva a decisão do Ministério da Economia e Finanças (MEF) de transparentar as dívidas acumuladas com fornecedores do Estado. No entanto, ele advertiu que o principal desafio será determinar se o aumento do déficit fiscal é uma situação excepcional ou um problema estrutural nas contas públicas.

O MEF revisou sua projeção, estimando que o déficit fiscal chegará a 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e subirá para 3,9% em 2027, com o objetivo de retornar ao limite de 1,5% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal apenas em 2028. Llamosas considerou muito complexo reduzir o déficit de 3,9% para 1,5% de um ano para o outro.

O ex-ministro destacou que o volume atual de obrigações pendentes é consideravelmente maior do que o registrado na transição de 2023, o que pode indicar que o Orçamento Geral da Nação já não é suficiente para financiar todos os programas estatais. Ele defendeu priorizar a melhoria da eficiência do gasto público antes de qualquer discussão sobre aumento de impostos. Llamosas também sugeriu revisar regimes de exoneração tributária, um gasto tributário que representa cerca de um ponto percentual do PIB, como forma de fortalecer a arrecadação.

Embora reconheça que o Paraguai ainda tem o menor nível de endividamento em relação ao PIB da região, Llamosas expressou preocupação com o risco de o desequilíbrio fiscal se tornar permanente. Para evitar a repetição do acúmulo de dívidas, ele propôs modernizar os mecanismos de controle e registro dos compromissos do Estado, revisando a Lei de Administração Financeira.

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Fontes (2)

Atualizado: 6 de ago. de 2026, 01:00