O economista Sergio Sapena defende que o Paraguai eleve significativamente sua dívida pública, de cerca de 35% para até 70% do PIB, nível que considera sustentável e necessário para financiar infraestrutura e acelerar o crescimento econômico. Em entrevista ao jornal Última Hora, ele argumenta que a emissão de títulos é o respaldo para a expansão monetária do Banco Central do Paraguai (BCP) e que o país está "estagnado" devido aos baixos níveis de investimento.
Sapena propõe que o país emita aproximadamente US$ 2 bilhões em títulos por ano durante cinco anos e eleve o déficit fiscal para 6% do PIB, criticando as metas governamentais atuais de 3,2% em 2026 e 3,9% em 2027 como insuficientes. Ele também defende que o endividamento seja prioritariamente em guaranis, reduzindo a exposição a flutuações cambiais.
Enquanto isso, dados do Ministério da Economia e Finanças (MEF) mostram que, durante o governo de Santiago Peña, o Paraguai emitiu US$ 3,5 bilhões em títulos internacionais e cerca de US$ 2 bilhões no mercado interno, totalizando US$ 5,4 bilhões. A dívida pública chegou a 34,4% do PIB em junho.
Economistas como Dionisio Borda, ex-ministro da Fazenda, expressam preocupação com o ritmo acelerado do endividamento, especialmente em um contexto de déficit fiscal, baixa arrecadação tributária e crescimento de gastos. Borda alerta que os US$ 3,5 bilhões em títulos soberanos emitidos nesta administração já superam as emissões de governos anteriores, com dois anos restantes no mandato.
Luis Rojas, outro economista, critica a prática de "bicicleteio" da dívida, onde novas emissões são usadas para refinanciar dívidas antigas, sem resolver problemas fiscais de base. Ele adverte que isso aumenta os juros e pressiona o orçamento, limitando os recursos para investimentos em desenvolvimento.
O MEF informou que busca aumentar a participação da dívida em moeda local para cerca de 30%, como parte de uma estratégia de desdolarização. Atualmente, 24% da dívida da Administração Central está em guaranis. Borda considera positiva essa iniciativa, pois reduz o risco cambial.
