O presidente Santiago Peña e o ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, reuniram-se com sete ex-ministros da pasta para discutir os desafios fiscais do Paraguai, com foco na dívida acumulada do Estado e nas projeções econômicas para os próximos anos. O encontro, descrito por Peña como um "espaço enriquecedor de reflexão", contou com a participação de Germán Rojas, Benigno López, Manuel Ferreira, Miguel Gómez, César Barreto, Óscar Llamosas, Marco Elizeche e o assessor presidencial Juan José Galeano.
Durante a reunião, Lovera apresentou um diagnóstico detalhado das contas públicas, destacando que o governo identificou dívidas pendentes já quantificadas de US$ 1,27 bilhão, principalmente com fornecedores do setor de saúde (US$ 1,05 bilhão) e construtoras de obras públicas (US$ 220 milhões). Uma estimativa não quantificada mencionada por uma fonte sugeriu que o total de obrigações pendentes poderia chegar a US$ 2,7 bilhões, mas esse valor não foi confirmado oficialmente.
Segundo o ex-ministro Benigno López, o governo prepara um projeto de lei para elevar temporariamente o teto do déficit e um plano de convergência. O ministro confirmou que o reconhecimento dessas obrigações terá impacto direto no déficit fiscal. A projeção para 2026 foi revisada para 3,2% do PIB, e para 2027, espera-se um déficit de 3,9%. Sem a gestão desses atrasos herdados da administração anterior, o resultado fiscal ficaria em torno de 2% este ano e 1,9% no próximo. A meta é retornar ao limite de 1,5% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal apenas em 2028, ao final do atual governo.
O ex-ministro Germán Rojas destacou que a situação fiscal já é discutida com organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que fez recomendações para melhorar o manejo das contas públicas. Manuel Ferreira, outro ex-ministro presente, defendeu que a transparência sobre esses compromissos é essencial para fortalecer a credibilidade da política fiscal.
Para lidar com o problema, o governo planeja usar cessão de direitos de cobrança para quitar parte das dívidas com farmacêuticas, com expectativa de captar entre US$ 400 e US$ 500 milhões. O saldo restante pode ser financiado por emissão de dívida ou créditos multilaterais, dependendo de autorização do Congresso.
Lovera também afirmou que a arrecadação tributária cresceu cerca de 2% até julho. O orçamento de 2026 projetava crescimento anual de 8,5%. Ao descrever o quadro fiscal, ele também citou a queda do dólar frente ao guarani e receitas menores das binacionais. O MEF revisará a estrutura tributária e regimes especiais, mas descartou aumento de impostos ou criação de novas taxas.
Para evitar novos atrasos, o governo implementou o Sistema de Gestão de Bens e Serviços (SIGEVIS), uma ferramenta de controle que permite rastrear contratos desde a assinatura até o pagamento, garantindo maior transparência nas finanças públicas.
