O ex-reitor da Universidade Nacional de Assunção (UNA), Froilán Enrique Peralta Torres, recuperou a liberdade nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, após cumprir a pena de três anos por lesão de confiança. A juíza de Execução Especializada em Crimes Econômicos, Corrupção e Crime Organizado da Capital, María Lidia Wyder Mendieta, declarou extinta a sanção e determinou o levantamento das restrições vinculadas à condenação.
Peralta, de 73 anos, foi condenado em 8 de agosto de 2022 por um tribunal colegiado de Fernando de la Mora. A sentença apontou um prejuízo patrimonial de G. 1.154.401.733 à universidade durante sua gestão como reitor. A condenação foi confirmada pelo Tribunal de Apelações de Central em março de 2023, e a Sala Penal da Corte Suprema de Justiça declarou inadmissível o recurso da defesa em junho daquele ano.
Após permanecer foragido, o ex-reitor se entregou à Polícia em 9 de novembro de 2023. Ele passou aproximadamente três meses em um estabelecimento penitenciário. Em fevereiro de 2024, uma decisão judicial permitiu que cumprisse o restante da pena em prisão domiciliar, levando em conta sua idade. A data de encerramento, 3 de setembro de 2026, já havia sido fixada pelo juízo de execução em novembro de 2023.
A decisão desta quinta-feira também ordenou o envio de comunicações à Polícia Nacional, à Direção-Geral de Migrações e ao Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, além do posterior arquivamento do processo de execução da pena.
O caso está ligado à crise que atingiu a UNA em setembro de 2015. Sob o lema “UNA não se cale” — UNA no te calles — estudantes ocuparam o campus de San Lorenzo e denunciaram irregularidades em nomeações, distribuição de cargos docentes, salários e administração de recursos públicos. As mobilizações se espalharam por outras faculdades, pressionaram pela saída de Peralta e se tornaram um marco da participação estudantil no Paraguai.
A sentença encerra a execução dessa condenação específica, mas não apaga o fato reconhecido pela Justiça nem o valor do prejuízo estabelecido no processo. Durante as manifestações, estudantes classificaram a pena de três anos como insuficiente diante das acusações que haviam desencadeado a crise institucional.
