O presidente Santiago Peña reafirmou nesta quinta-feira (3) que seu governo não pretende aumentar alíquotas nem criar novos impostos, enquanto o Ministério da Economia e Finanças e a Direção Nacional de Ingressos Tributários (DNIT), responsável pela arrecadação no Paraguai, revisam isenções e deduções concedidas a determinados setores.
O ministro Óscar Lovera afirmou que a análise busca tornar mais eficiente a estrutura tributária vigente. Estudos citados por ele estimam o chamado “gasto tributário” — benefícios que reduzem ou eliminam impostos — em cerca de US$ 1 bilhão. Lovera ressaltou que ainda não existe uma proposta específica e disse que, neste momento, não estão previstas mudanças no Imposto de Renda Empresarial (IRE), no Imposto de Renda Pessoal (IRP) ou no Imposto sobre o Valor Agregado (IVA).
O diretor da DNIT, Óscar Orué, defendeu como opinião técnica pessoal a revisão de regimes especiais, como maquila e zona franca, além de benefícios que reduzem de 10% para 5% a cobrança de IVA sobre determinados bens. A avaliação não representa uma decisão formal do governo. Orué afirmou que a análise dessas regras poderia ampliar a arrecadação, mas não apresentou uma medida aprovada.
O debate ocorre em meio à mobilização de médicos, que reivindicam reajuste de 3 milhões de guaranis por vínculo. O deputado Hugo Meza disse que conversou com Peña e, segundo seu próprio relato, antecipou uma proposta do Executivo ao setor. De acordo com Meza, o projeto do Orçamento Geral da Nação para 2027 prevê mais recursos para insumos e medicamentos e a regularização de quase 3 mil profissionais de saúde. Meza defendeu negociações e afirmou que o Congresso ainda poderá buscar fontes de financiamento para o reajuste.
O deputado Rodrigo Gamarra, da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, rejeitou a elevação de impostos e propôs ampliar a base de contribuintes com mais formalização e incentivos a micro, pequenas e médias empresas. Gamarra citou 121 projetos aprovados em 2025 pelo regime de incentivos ao investimento, somando US$ 650 milhões e mais de 4.100 empregos projetados. Também mencionou 7.744 novas empresas e 242 mil postos de trabalho.
Durante a abertura da IV Edição Siembra de Soja Paraguay 2026-2027, em J. Eulogio Estigarribia, no departamento de Caaguazú, Peña disse que as demandas por saúde, educação e segurança são legítimas, mas advertiu que uma maior carga tributária pode afetar produção, investimentos e empregos. O presidente afirmou que mantém esse debate com parlamentares, incluindo o senador Silvio Ovelar, e defendeu respostas graduais às necessidades sociais.
A visita também foi marcada por protestos de moradores que pediram uma unidade do Instituto de Previsão Social (IPS) na cidade. Manifestantes afirmaram que mais de 3 mil segurados precisam viajar cerca de 40 quilômetros até Caaguazú ou quase 100 quilômetros até Coronel Oviedo para atendimento. Eles também reivindicaram insumos e médicos especialistas para o centro de saúde local, argumentando que o Hospital Geral de Coronel Oviedo está distante e sobrecarregado.
